Sociedade se arma contra a venda da Copel
Faltando apenas sete meses para o leilão que pode selar a venda da Copel para a iniciativa privada, a sociedade civil organizada do Estado inicia uma campanha antiprivatização e aposta em uma série de medidas judiciais e políticas para tentar impedir o repasse da mais lucrativa estatal paranaense. Várias entidades já se posicionaram contra. Entre elas, a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná (OAB-PR), Sindicato dos Engenheiros (Senge-PR), Conselho dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Crea-PR), a representação no Paraná do Conselho Federal de Economia (Cofecon), além de sindicatos de servidores públicos e praticamente a metade dos 54 deputados estaduais.
As entidades defendem que a empresa de energia é estratégica e lucrativa. Por isso, não pode ser entregue a empresas privadas. Para rebater esse argumento, o governo corre contra o tempo, na tentativa de elaborar um discurso que convença deputados e a população de que a venda trará benefícios ao Estado. O lucro líquido da Copel apurado no ano passado atingiu R$ 430 milhões, o que fez as ações da companhia subirem entre 4% e 5% com o anúncio do resultado.
Para o presidente da OAB-PR, José Hipólito Xavier da Silva, a companhia de energia é questão de segurança nacional. É muito arriscado transferi-la para empresas privadas, que terão o domínio da geração e distribuição da energia elétrica, avalia. Ele destaca que a companhia é referência em termos administrativos e não vê necessidade nenhuma de vendê-la. E lança dúvidas sobre os reais motivos que levam o Executivo a privatizar a empresa. O secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert, sustenta que segue orientação do programa de desregulamentação do governo federal e que a Copel vai perder competitividade se não foi vendida, porque terá dificuldade de obter financiamentos. Não vejo justificativa, a não ser que existam motivos obscuros por trás que só o governo conheça, provoca o presidente da OAB.
Mari Elaine Rodella, presidente do Sindicato dos Servidores de Saúde, engrossa o coro. O governo vai vender a Copel para cobrir um buraco no caixa e abrir outro, critica. Segundo ela, o governador Jaime Lerner (PFL) está buscando fôlego financeiro para respirar até o final de seu mandato, no ano que vem. Ela acredita que a intenção do Palácio Iguaçu é reverter a rejeição no interior. O governador avalia que o consumidor será beneficiado, porque as tarifas serão reduzidas, rebatendo argumento utilizado por vários deputados de oposição, que acreditam que os preços vão subir.
O economista Luiz Eduardo Sebastiani, representante no Paraná do Cofecon, ressalta a importância estratégica da Copel e defende que a companhia de energia é essencial para o desenvolvimento econômico e social. Ele afirma que a venda é um risco desnecessário.
O Senge tentou barrar a seleção das advisers (que farão a modelagem e a definição do preço para a venda), mas a Justiça indeferiu o pedido. Vereadores da oposição em Curitiba também tentaram, mas os pedidos foram igualmente indeferidos. O sindicato também está promovendo palestras no interior. O presidente da entidade, Carlos Roberto Bittencourt, discorda da perda de competitividade. A Copel é uma empresa sólida, que tem participação em outros setores, como telecomunicações, e inclusive atua em outros países.
A Associação Comercial do Paraná (ACP) considerada peça importante na campanha antiprivatização ainda não definiu posição. A entidade está promovendo uma série de debates para discutir o assunto. Na terça-feira, um dos convidades para discutir a privatização do setor elétrico é o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB).





