A diretoria da Sociedade Rural do Paraná (SRP) gostou da ida do governador Jaime Lerner (PFL) a Brasília para apresentar propostas de descentralização da reforma agrária ao ministro da Justiça, Renan Calheiros. A audiência entre o governador e o ministro para a apresentação das reivindicações do Estado foi anunciada pelo próprio governador aos produtores rurais que participaram, na semana passada, de um seminário sobre agronegócios, promovido pela SRP em Londrina.
A Sociedade Rural também aprovou o pedido do governador de reinvidicar ao ministro o apoio de agentes da Polícia Federal para garantir as desocupações de propriedades rurais, caso não haja acordo para saída dos sem-terra. O cumprimento dos mandados judiciais de reintegração de posse é uma antiga antiga reivindicação dos líderes ruralistas. De 44 áreas invadidas, 11 foram consideradas produtivas pelo Incra e Lerner garantiu que irá efetuar a reintegração de posse.
O presidente da Sociedade Rural, Francisco Galli, disse ontem que a classe ‘‘não é a favor da violência nos despejos e sim da manutenção da ordem’’. ‘‘Nós advogamos que a violência tem de ser evitada, mas a Polícia é paga para que a lei seja cumprida’’, afirmou. Ele disse concordar com a proposta do governo de pedir, durante os despejos, a presença de policiais federais, juízes e de representantes do Ministério Público.
Ontem, em entrevista publicada pela Folha, o membro da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Rogério Mauro, disse não entender o motivo das desocupações porque, segundo ele, todas as áreas já estão sendo negociadas e em vias de desapropriação. ‘‘Essas informações são as mais desencontradas possíveis’’, disse Galli. Ele reconhece que se o processo de desapropriação estiver em estágio adiantado, o proprietário rural deve aceitar ser ressarcido pela União, mas pelo valor de mercado. ‘‘O dono pagou pela área’’, argumentou.
Em relação à afirmação do MST do Paraná de que as famílias não sairão das áreas ocupadas porque não têm para onde ir, ele disse que os proprietários rurais não são responsáveis.
O assessor especial de assuntos fundiários, José Carlos Vieira, estava ontem em Brasília fazendo contatos com o Incra no sentido de agilizar as desapropriações das áreas e tentar encontrar soluções para não deixar os sem-terra sem alternativa. Ele tentou tranquilizar as lideranças sem-terra e disse que não deve haver uso de força policial nas desocupações. ‘‘Um governo que prega justiça social no campo passa por um bom entendimento com todos os setores’’, disse à Folha, por telefone.

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