A Sociedade Muçulmana de Londrina enviou ontem uma correspondência para a CPI da Petrobras questionado a necessidade da exumação do corpo do ex-deputado federal José Janene (PP-PR) com o objetivo de confirmar a morte dele, ocorrida em 2010. "Não faz o menor sentido", criticou Dely Dias das Neves, presidente da entidade.
"A exumação pode ser feita em casos extremos, mas é considerada um pecado e se conseguissem ordem judicial para isso, iríamos recorrer", completou ele.
De acordo com Neves, pior do que levantar a dúvida sobre aqueles que prestaram assistência no velório e sepultamento, "é dizer que Janene foi enterrado em caixão lacrado. Isso para nós ficou muito chato".
Conforme Neves, o corpo do ex-deputado foi transladado em caixão de São Paulo (SP) – onde estava internado no Incor – até Londrina. "Pela nossa tradição, o corpo do homem deve ser sepultado envolto em uma mortalha, um pano branco sem costura (cafan), com a cabeça voltada para a Mesquita Sagrada de Meca." Dely lembrou que foi um dos velórios mais movimentados da Mesquita Rei Faiçal, portanto, não faltam testemunhas da morte. "Muitas pessoas, inclusive muitos políticos, estiveram lá."
O presidente da Sociedade Muçulmana informou que Janene pediu a familiares e amigos, no leito de morte, para que fosse enterrado no cemitério muçulmano de Londrina. "Testemunhas disseram que ele lia o Alcorão no hospital."

CONVOCAÇÃO DE STAEL

Apesar de já estar com o requerimento pronto para pedir a exumação do corpo do ex-deputado José Janene (PP-PR) morto em 2010, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) informou, após uma reunião realizada ontem pela manhã, em Brasília, que vai analisar uma série de documentos que serão apresentados pela família do político londrinense antes de tomar qualquer medida. Os familiares do ex-deputado se comprometeram a comprovar que Janene não está vivo, e que o corpo do político está enterrado num cemitério em Londrina. Segundo o presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB), ele falou com a filha de Janene, Daniele, ainda na noite de quarta-feira, e também com o advogado de Stael Fernanda Janene, prometendo aguardar o envio de toda a documentação antes de tentar pedir a exumação à Justiça.
O recuo da CPI ocorreu após duras críticas de familiares do ex-parlamentar, e inclusive de colegas da Comissão, mas a possibilidade de exumação do corpo prossegue, até porque vai depender da análise de todo o material que for encaminhado à Brasília. Caso julgarem necessário, o pedido pode ser colocado novamente em pauta.
Para o deputado Altineu Cortês (PP-RJ), apesar da viúva de Janene ter criticado a postura da CPI em insistir com a exumação, é extremamente importante convocá-la para depor nas próximas audiências. "Insisti bastante em sua convocação porque além de toda esta discussão em torno da exumação, há uma suspeita sobre a existência de uma conta bancária no exterior com cerca de 185 milhões de euros que teria sido aberta no nome do ex-deputado. E, com a presença da viúva tudo isso pode ser esclarecido. Além disso, poderemos questioná-la sobre o que ela sabia enquanto Janene estava vivo, todo o esquema que deu início ao Petrolão", disse.
O parlamentar negou que tenha falado diretamente com Stael, e que "denúncias" chegaram até a CPI, e dão conta de que Alberto Youssef teria obtido uma procuração para poder movimentar o dinheiro no exterior.
"Temos que apurar estas informações e acredito que a convocação dela deva ser aprovada já no início da próxima semana", completou o deputado. Em sessão da Comissão realizada em Curitiba neste mês, o doleiro negou com veemência a existência desta conta quando foi questionado por Cortês.

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