O gasto com a convocação e a desconvocação extraordinária da Assembléia Legislativa, de R$ 648 mil, num momento em que o governo do Estado anunciou cortes de R$ 35 milhões ao mês, causou indignação, contrariedade e repúdio em vários setores da sociedade. Pelo menos quatro manifestos condenando a medida foram divulgados.
A primeira iniciativa, no mês passado, partiu dos sindicatos dos Economistas do Paraná e de Londrina. O ‘‘Pacto por Londrina’’, formado pela Sociedade Rural do Paraná, Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná, Sindicato Rural de Londrina e Associação Comercial e Industrial de Londrina, também divulgaram manifesto. O terceiro documento foi assinado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina e o quarto pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Paraná, que representa 600 mil trabalhadores de 126 sindicatos do Estado.
Com exceção do deputado Florisvaldo Fier, o doutor Rosinha (PT), que não aceita receber pelas sessões extraordinárias, cada deputado ganhou R$ 6 mil brutos pela convocação, mais R$ 6 mil pela desconvocação. ‘‘Em que pese sabermos ser este um procedimento respaldado em lei, ressaltamos que o momento por que passa a economia do País e do Estado - e, por consequência, a vida de todos os cidadãos brasileiros, exige uma profunda reflexão sobre gastos’’, criticaram os integrantes do ‘‘Pacto por Londrina’’.
A regional do Paraná da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também se somou a favor das críticas das entidades. O secretário-geral da CNBB, padre Carlos Alberto Chiquim, disse que a convocação da Assembléia foi ‘‘absurda’’. ‘‘Uma afronta à dignidade do cidadão’’. Para o presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Londrina, Lucimar Vieira, a classe política deveria ter observado a repercussão negativa do fato e analisar o alto índice de votos nulos, brancos e abstenções.

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