Curitiba - A sete meses das eleições não são só os partidos políticos e candidatos que já estão se preparando. Entidades civis também já se mobilizam para o pleito. A maior parte delas quer aproveitar o período de campanha, entre agosto e setembro, para cobrar dos candidatos compromisso com suas reivindicações. Há também quem vá trabalhar por uma eleição limpa, sem crimes eleitorais e pela atuação consciente dos eleitores.
Esse tipo de entidade está proibida por lei de ter envolvimento partidário. Também é vetada a elas fazer doações a candidatos e partidos, explica o advogado especialista em direito eleitoral, Luiz Gustavo Severo. Isso impede inclusive a divulgação de impressos favoráveis a um ou outro candidato. ''Se o sindicato rodar um impresso é computado automaticamente como doação'', diz.
No caso das entidades privadas, em geral a limitação está no próprio estatuto. ''A maioria das associações já prevê que ela será apartidária'', conta. Mas isso não as deixa de fora do processo eleitoral. Debates, sabatinas e eventos com candidatos estão na agenda de sindicatos e associações. A intenção é arrancar dos candidatos compromissos com as bandeiras de cada setor.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) já realizou 29 conferências regionais em todo o Estado para discutir as bandeiras da categoria. ''Devemos ter uma pauta de trabalho até julho'', adianta a presidente do sindicato, Marlei Fernandes de Carvalho. A intenção é fazer com que todos os candidatos ao governo assinem uma carta-compromisso com a entidade durante a campanha.
''Já fizemos isso em 2002 e 2006. Tem um bom resultado porque amarra o candidato com nossas bandeiras'', destaca. ''Nessas eleições tivemos um resultado bastante efetivo porque depois a pessoa não pode dizer que não sabia (das nossas reivindicações)'', aponta. O conteúdo do documento é composto por assuntos que saem de ''um intenso debate com toda a categoria''.
Na Associação dos Municípios do Paraná (AMP), a preocupação é com o transporte escolar e os repasses de recursos. ''Temos uma pauta extensa'', adianta o presidente da entidade, Moacyr Fadel. A instituição planeja realizar reuniões com os candidatos ao governo do Estado e ao senado para ''mostrar nossas prioridades''. Entre as reivindicações da AMP está a melhoria nos repasses do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e a transferência de mais recursos para os municípios.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) também quer receber os candidatos para discutir reivindicações da categoria. ''Convidamos tanto os candidatos ao governo e ao senado quanto os que disputam uma vaga na Assembleia e na Câmara Federal'', explica Carlos Augusto Albuquerque, assessor da diretoria.
Na Faep, o plano é realizar a apresentação das propostas da entidade e discutir com os candidatos. ''Também temos contribuido para os planos de governo'', adianta Albuquerque. A instituição defende mais investimentos nas rodovias e ferrovias do Estado, além de mais crédito para os produtores além de alterações na política agrícola do governo federal. ''A aplicação de recursos em infraestrutura rodoviária e ferroviária tem impacto direto no custo de transporte da produção, o que tem impacto na renda do produtor'', explica.
PNDH
Também na agenda das entidades de classe está o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). ''Estamos atentos a evolução do plano'', avisa o secretário executivo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Regional Sul II, padre Carlos Alberto Chiquim. A entidade é contrária a descriminalização do aborto e o reconhecimento da união de casais do mesmo sexo.
O assunto deve estar na pauta das conversas da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Paraná (OAB-PR) com os candidatos. ''Temos que saber as opiniões dos candidatos sobre temas como a liberdade de expressão'', exemplifica o presidente da entidade, José Lúcio Glomb. ''Por aí vamos saber o caminho que ele (o candidato) vai seguir'', completa.
Na Associação Comercial do Paraná (ACP), a preocupação é com as regras propostas no PNDH para reintegração de posse de propriedades invadidas, que prevê a participação das centrais sindicais no processo.

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