Socialismo só no papel
As vereadoras Elza Correia (PMDB) e Lenir de Assis (PT), que defendem políticas sociais, avaliam que a Câmara de Londrina não ficou mais socialista depois da janela partidária. "Têm vários Ss, mas não tem nada no sentido ideológico na linha de atuação política dos partidos socialistas, pois as siglas querem dizer muito pouco hoje em dia. Dentro do próprio PMDB, que é meu partido, mais à esquerda, temos pessoas que não têm compromisso nenhum, sequer com a democracia", disse Elza.
Para ela, a votação do Plano Nacional de Educação (PME) demonstrou o pensamento conservador que permanece na Casa. "A discussão da proposta da desigualdade de gênero, que é uma luta mundial, dos movimentos progressistas, das mulheres e dos direitos humanos foi permeada por uma posição conservadora no nível nacional, veio descendo até os municípios e aqui na Câmara prevaleceu a ideia de retirada do tema do plano."
Já Lenir considerou "lamentável que muitas siglas utilizem o S para criarem uma imagem socialista, mas na prática não fazem isso, caminham muito mais no apoio ao direito privado." De acordo com a petista, as questões sociais tiveram pouca atenção do poder público local. "Não tivemos nessa gestão projetos aqui na Câmara e grandes debates a respeito de projetos de linha socialista. Nada avançou nas periferias, nada avançou na transferência de renda", cutucando a administração municipal.
O professor da UEL, Clodomiro Bannwart, afirmou que as mudanças de siglas realizadas pelos vereadores de Londrina não afetam em praticamente nada, do ponto de vista ideológico, o andamento dos trabalhos no legislativo. "Afetam, sim, o andamento do processo eleitoral que se inicia logo mais. Tais mudanças têm um lastro muito mais pragmático quanto ao posicionamento que ocuparão no pleito eleitoral, do que, propriamente, de fundo ideológico", analisou. (E.F.)





