A posição do presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo a qual o problema da saúde não é falta de dinheiro, mas a ineficiente aplicação dos recursos, coincide, pelo menos parcialmente, com diagnóstico do Banco Mundial sobre os gastos sociais no Brasil. De acordo com o último relatório sobre a avaliação da pobreza no País, concluído em 1995, o Brasil gasta ‘‘quantias relativamente altas’’ com programas sociais - cerca de US$ 90 bilhões por ano - sem, contudo, conseguir melhorar seus indicadores nessa área.
Ainda morrem mais crianças no Brasil do que em países com renda per capita inferior à dos brasileiros. A taxa de mortalidade infantil - a principal referência de saúde -, no Brasil, está em 44 por mil nascidos vivos, segundo outro documento do banco, sobre desenvolvimento mundial, divulgado recentemente. O desempenho do Brasil é pior do que o da Colômbia, Equador, Argélia e Romênia, países classificados como mais pobres. Está também abaixo da média ponderada - 35 para mil nascimentos - válida para os países do grupo de renda média alta, do qual faz parte o Brasil, segundo relatório de 1997.
‘‘A análise deste fato (muito dinheiro) e dos baixos indicadores sociais nos leva a constatar que devem existir sérias ineficiências, tanto na estrutura como na execução dos programas sociais no Brasil’’, diagnostica a instituição. Segundo o Banco Mundial, as políticas de atendimento social no Brasil não conseguem atingir 24 milhões de brasileiros - cerca de 17% da população - situados abaixo da linha da pobreza. ‘‘A distribuição dos gastos públicos no Brasil é favorável aos ricos’’, define o banco.
A primeira grande distorção identificada pelos estudos é a conta da Previdência Social. O pagamento de aposentados da iniciativa privada, e, sobretudo, de inativos e pensionistas da União consome, em média, 40% das verbas sociais. A Educação fica com 22% e a Saúde, com 16% - percentual que vem se mantendo estável. O sistema de Previdência, destaca o relatório, não alcança os mais pobres, geralmente sem qualificação para o mercado de trabalho formal.
Como a população mais pobre se beneficia de apenas 13% dos investimentos sociais, enquanto os mais ricos ficam com 24% destes recursos, ‘‘o simples fato de serem ampliados os gastos sociais contribuirá muito pouco para mitigar a pobreza’’. A saída, recomenda o Banco Mundial, é reestruturar os gastos sociais - o que envolve a reforma da Previdência - e implementar programas direcionados para os mais pobres - até mesmo a reforma agrária - gerenciados de forma descentralizada e sem os altos custos da burocracia.

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