O sobrinho do deputado José Janene (PPB), Aristides Barion Júnior, acusou o pepebista de ter se apropriado de seu salário como assessor parlamentar. A declaração foi prestada ao Ministério Público (MP) no dia 14 de setembro. Barion Júnior alegou que, em 94, foi coordenador da campanha do deputado e, em 95, foi registrado como assessor parlamentar, ocupando o cargo até meados de agosto.
Nesse período, ele teria passado uma declaração ao chefe de gabinete de Janene em Brasília, chamado Airton, autorizando a movimentação de sua conta. O sobrinho do parlamentar disse que seus vencimentos eram retirados de sua conta e transferidos para a conta de Janene.
O sobrinho do deputado também alegou ao MP ter conhecimento de que José Janene comprou um apartamento no edifício Arkádia em Londrina (um dos mais luxuosos e caros da cidade), vários carros improtados e um avião Cheyenne, dois apartamentos em Caiobá e uma fazenda próxima a Tamarana. ‘‘A fazenda encontra-se registrada em nome de Mehedin Jenani Rosa Maria Valente’’, consta no depoimento.
O comerciante Edivor Bueno Fogagnollo também prestou depoimento em 18 de agosto e contou que ‘‘no ano de 97 ou 98’’ foi registrado na Câmara dos Deputados como assessor parlamentar de Janene, mas nunca esteve em Brasília e nem no escritório político do deputado. Fogagnollo alegou que por mais de 10 meses recebeu um salário de R$ 2.400, mas que só ficava com o valor referente à CPMF e entregava o dinheiro a Rosa Alice Valente, secretária do deputado.
Fogagnollo disse que trabalhava na Eletrojan (ex-empresa do deputado), mas conseguiu licença formal para que constasse seu trabalho em Brasília. Ele atuou também na Mercoluz, empresa ligado ao deputado. O comerciante disse que junto com seu primo, Fábio Aparecido Teixeira Pinto, foi usado como laranja para que Janene participasse da concorrência pela concessão de uma rádio em Ibiporã.
Em 29 de março, Arlindo Augusto Hackmann Júnior, funcionário da empresa NB Car, contou ao MP que o deputado pagou R$ 2 mil pela manutenção de veículos de sua família com um cheque de R$ 20 mil em nome da Disbran, de Luiz Carlos Brandão, empresa acusada de envolvimento com licitações fraudulentas na Comurb. Segundo Hackmann Júnior, o deputado ligou várias vezes cobrando o troco, devolvido em duas vezes. Ontem, durante a entrevista coletiva, o deputado negou todas as acusações.

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