O sobrinho do deputado federal José Janene (PP), Aristides Barion Júnior, entregou ontem ao delegado da Polícia Federal em Londrina Kandy Takahashi, cópias de documentos da campanha eleitoral do deputado de 1994. Os documentos complementam o depoimento prestado na última segunda-feira por Barion no inquérito instaurado no Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito apura supostas irregularidades na prestação de contas de Janene na campanha que resultou no seu primeiro mandato de deputado.
Takahashi disse que não poderia dar dados sobre a investigação e que somente recebeu o expediente do STF para ouvir Barion. Segundo o depoimento de Barion, ele teria trabalhado como coordenador e tesoureiro da campanha de Janene em 1994, ''funcionando como o responsável pelo pagamento das despesas''. ''As despesas de campanha do candidato José Janene foram pagas com dinheiro do próprio candidato, cerca de R$ 210 mil, além de cerca de R$ 1,2 milhão, este dinheiro do declarante e de sua família'', relatou Barion no depoimento. ''Na época da campanha, ele não tinha o poderio econômico que tem hoje. Quando ele pediu ajuda à minha família, não pensei duas vezes em ajudar, mas era dinheiro que levantamos em bancos, emprestei cerca de 80%. Quando ele disse que não ia pagar, não tive outra saída a não ser entrar na justiça'', disse Barion, se referindo as duas ações monitórias que tramitam na 6 Vara Cível de Londrina, desde 1995, em que ele pede o pagamento do valor que teria sido empregado na campanha de Janene. ''Como ele não pagou, perdi tudo, dois postos de combustível, carros, caminhões, uma empresa de sorvetes e ainda estou devendo.''
Conforme o depoimento, na campanha de 1994, Janene teria gasto R$ 1,4 milhão. ''Mas ele (Janene) declarou na prestação de contas da campanha dele somente R$ 400 mil. O restante, que pode ser comprovado por recibos anexados nas ações que movo contra ele, não foram declarados'', afirmou.
Segundo o advogado de Janene, Adolfo Góis, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) já se manifestou pelo arquivamento das ações monitórias. ''O perito nomeado pelo juiz para fazer avaliação contábil do Auto Posto Tidão (que pertencia a Barion) já se manifestou no sentido da impossibilidade financeira da empresa e pessoa física terem dispendido tão volumosa quantidade em dinheiro. O inquérito também está fadado a ser arquivado como deverá ser a ação civil'', afirmou Góis. ''Não há prova documental nenhuma'', complementou. O advogado afirma que se tivesse havido crime eleitoral na prestação de contas ele teria prescrito em 2002.

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