Sobrinho de ex-mulher de Lula é alvo da Operação Janus
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sexta-feira, 20 de maio de 2016
Adriano Ceolin e Andreza Matais<br>Agência Estado 
Brasília - Levado de forma coercitiva para prestar depoimento à Polícia Federal ontem Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho de ex-mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria recebido "valores de origem ilícita" ao "dissimular" prestação de serviços para obras da construtora Odebrecht fora do Brasil
segundo a Operação Janus. A conclusão consta na peça que embasou a decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, que determinou também a busca e apreensão em endereços relacionados a Taiguara. Ele seria "laranja" de Lula, que é investigado por praticar tráfico de influência para a Odebrecht conseguir financiamentos junto ao Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Taiguara é investigado porque uma de suas empresas, a Exergia Brasil, recebeu R$ 3,5 milhões da empreiteira Odebrecht repasse que ocorreu depois que o BNDES aceitou financiar uma obra executada pela empreiteira em Angola, a construção da hidrelétrica Cambambe. O financiamento para a obra, segundo a PF, foi de US$ 446 milhões. A Exergia Brasil, porém, segundo a PF, não teria capacidade técnica para participar da obra a suspeita é que houve o repasse de dinheiro, mas sem contrapartida.
"Os elementos trazidos pela autoridade policial revelam que foram executados aparentes negócios jurídicos no exterior por empresas ligadas a Taiguara Rodrigues dos Santos, pessoa próxima e do convívio familiar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contratadas por empresas do grupo Odebrecht para prestação de diversos serviços técnicos especializados - como sondagens, perfurações, serviços de topografia, elaboração de projetos e consultoria - sem experiência anterior e sem a demonstração inequívoca de capacidade técnica, o que indica a ocorrência de irregularidades e dissimulação de valores de origem ilícita", afirma o juiz em seu despacho.
Os advogados de Lula, por meio de nota, criticaram o fato de a Polícia Federal e o Ministério Público terem citado o nome na investigação, que, na visão deles, é irregular. "Tais medidas não envolvem Lula e seu nome foi indevidamente mencionado. Prova disso é que o MPF e a PF afirmam, na mesma nota que faz referência ao nome do ex-presidente, que 'a investigação é sigilosa' e os nomes efetivamente envolvidos 'não serão divulgados' - não havendo, diante disso, qualquer explicação para a menção ao nome de Lula", afirmam os advogados.


