Sobrinho admite que foi usado como 'laranja'
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terça-feira, 27 de maio de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O metalúrgico Leandro Lupiane Lopes, sobrinho do ex-vereador Orlando Bonilha (PR), reconheceu ontem ao Ministério Público (MP) que foi usado como ''laranja'' por seu tio na compra de um terreno no Cemitério São Paulo, em 2005, por meio de licitação fraudada na Acesf. Somado a outros depoimentos, o MP já contabiliza aproximadamente dez ''laranjas'' confessos nesta operação -entre eles o vereador Rubens Canizares (PHS) e o controlador da Câmara Municipal, José Alfredo de Paula Júnior.
Por meio da operação, Bonilha adquiriu 26 lotes no cemitério - e depois passou a revendê-los pelo dobro do preço. A investigação está em fase final e, segundo a promotora Leila Voltarelli, ''com certeza dará lugar a ações judiciais''.
O sobrinho de Bonilha conversou com a imprensa ao deixar o MP. ''Meu tio me procurou e pediu que eu colocasse no meu nome. Não sabendo muito do que se tratava, aceitei. Foi na confiança, ele sempre aparentou ser uma pessoa honesta - até porque é evangélico'', contou. Hoje, porém, Lopes reconhece que foi utilizado como laranja. ''Com certeza, laranja mesmo. Eu sabia que era um terreno, mas não que (a operação) era totalmente ilegal.''
A esposa do metalúrgico, Alessandra Tomás de Aquino, prestou depoimento antes de Leandro e disse que também emprestou seu nome para Bonilha, na compra de outro terreno, a pedido do marido. ''Mas eu achei que era ele quem estava comprando, e não seu tio'', reclamou. Ambos assinaram procurações levada por uma ex-assessora do ex-vereador.
O sobrinho de Bonilha contou também que a prisão preventiva e as denúncias de corrupção caíram como uma ''bomba'' na família. ''Minha vó, tadinha, está pedindo para 'morrer'. Quando vê TV, é só choro e tristeza para ela.'' A promotora Leila Voltarelli afirmou que até o final das investigações será definido que tipo de infração foi cometido pelos ''laranjas'' da licitação.


