Davos A eliminação da tradicional festa de gala no sábado talvez tenha dado o tom do Fórum Mundial de Davos. Neste ano, o clima que predominou entre as 2.311 pessoas que se reuniram até ontem nesta pequena vila alpina para debater o ''estado do mundo'' foi de sobriedade e preocupação. Foi difícil ouvir alguma voz naquele seleto grupo, que incluiu 24 chefes de Estado, 82 ministros, 67 presidentes de organizações internacionais, 13 líderes sindicais, 74 líderes de ONGs, 177 acadêmicos, 1.300 líderes empresariais e 282 jornalistas ou controladores de empresas de mídia, cantando as glórias da globalização.
O clima entre os participantes era de preocupação com o fraco desempenho da economia global, com os efeitos econômicos e geopolíticos da possível guerra contra o Iraque, com o perigo de novos ataques terroristas de grandes dimensões e com a crescente insatisfação de bilhões de pobres no mundo inteiro com a repartição injusta dos frutos da globalização.
O momento mais grave e tenso do encontro foi aquele em que o Secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, disse a um auditório lotado, e em absoluto silêncio: ''Nós continuamos a nos reservar o nosso direito soberano de tomar uma ação militar contra o Iraque, sozinhos ou em uma coalizão dos que desejarem participar''.
No debate sobre a globalização, a grande marca do encontro foi a presença do presidente Lula, saudado como um verdadeiro herói da causa dos pobres e miseráveis do mundo. Mais do que a sua proposta de um fundo mundial de combate à fome e à pobreza, a maior contribuição de Lula, como observou Guy Ryder, secretário-geral da Confederação Internacional dos Sindicatos Livres, foi a urgência e a força moral do apelo do presidente brasileiro. ''Lula disse que nós não podemos esperar'', sintetizou Ryder.

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