Votado em regime de urgência na primeira discussão e debaixo de uma forte vaia na segunda, ontem à tarde, a Câmara de Vereadores de Londrina aprovou o reajuste da verba de gabinete dos 18 vereadores que compõem a Casa. A despeito da reação popular nas galerias do Plenário e da repercussão negativa do assunto na mídia, o projeto de resolução que repetiu os 11 votos a favor e sete contra eleva de R$ 4,3 mil para R$ 6,8 mil o total para contratação de até cinco assessores. No caso da Presidência, o montante sobe dos atuais R$ 10,3 mil para R$ 13,8 mil.
O aumento da verba ficou registrado ainda como o primeiro projeto votado no ano pela recém empossada Legislatura 2005/2008, de autoria da Mesa Executiva. Com isso, a economia de R$ 573.408 mil anuais que seria obtida com a diminuição de três parlamentares ficou pouca coisa acima dos novos gastos com assessores, na ordem dos R$ 532.678,30 ao ano. Na avaliação do presidente do Legislativo londrinense, Orlando Bonilha (PL), mesmo sendo poupados apenas R$ 40 mil desse cálculo, a iniciativa compensa: ''Foi um retrocesso a diminuição de cadeiras. Para economizar de fato, só mudando o repasse do orçamento'', defendeu-se, agarrado à tese de que o percentual do orçamento municipal repassado à Câmara é determinado pela Constituição Federal.
O vereador insistiu na ''economia'' anual de R$ 40 mil, mas, questionado se a manutenção da verba anual não representaria uma devolução de receita para o Executivo investir em outros setores, foi enfático na negativa. ''Esses R$ 2,5 mil a mais vão gerar só R$ 500 a cada um dos cinco assessores. É pouco. Pelo trabalho que é feito por eles e pelo retrocesso que sofremos com a redução de vagas, tenho certeza que a população vai entender'', acredita.
O pedido de compreensão do vereador foi na contramão das cenas ocorridas pouco antes da entrevista. Irritado com munícipes que gritavam contra o projeto das galerias, ele chegou a ameaçar a retirada deles vigias do prédio chegaram a 'visitar' as escadarias para, em seguida à aprovação, determinar uma suspensão da sessão por 20 minutos e se retirar do Plenário. Revoltadas, algumas pessoas chegaram a jogar moedas de R$ 0,05 e R$ 0,01 ante a atitude do parlamentar.
Pouco antes da abertura dos trabalhos, o peemedebista Henrique Barros, voto a favor do reajuste, entregou à imprensa o ''estudo comparativo de verba salarial'' que ele diz ter feito sobre câmaras de outras cidades do Paraná e até de outros Estados, como São Paulo e Santa Catarina. Pela lista, constavam números de habitantes, eleitores, assessores e a verba para estes, mas não a arrecadação de impostos dos municípios, fator importante para a montagem de orçamento dos poderes. ''Ribeirão Preto (interior paulista) tem quase o mesmo número de habitantes que nós e lá a verba é de R$ 15,6 mil, bem longe dos R$ 6,8 mil que queremos aprovar'', argumentou. Os três assessores e o recurso de gabinete de R$ 4 mil em Cambé (13 km a oeste de Londrina) também foram listados, e lembrados por Bonilha. O que o eleitor londrinense tem a ver com o da cidade vizinha, contudo, ele não respondeu. ''Está tudo na Região Metropolitana de Londrina'', desconversou.
Depois de aprovado, o projeto de resolução segue para imediata promulgação da Casa. A partir daí, serão feitas as nomeações para a composição dos gabinetes.

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