Sob vaias, Lula defende governo no Fórum Social
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2005
Folhapress 
Porto Alegre - Em discurso no lançamento da campanha ''Chamada Global para Ação contra a Pobreza'', no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu os diversos setores do seu governo, em especial a política externa, e respondeu às vaias dizendo que era coisa da ''juventude'' e que os manifestantes eram ''filhos do PT''.
Segundo o presidente, é importante para o Brasil ampliar suas relações internacionais. ''Nós ficamos olhando o tempo inteiro para a Europa e para os Estados Unidos e ficamos de costas para a África e a Ásia. Hoje é diferente, graças a uma política externa arrojada e propositiva'', discursou.
Lula lembrou que realizou diversas viagens no continente africano e no Oriente Médio e mencionou a criação do grupo G3 (grupo que faz parte Brasil, África do Sul e Índia) e disse que o país luta por um acordo bilateral entre a União Européia e o Mercosul. ''Visitamos sete países do Oriente Médio. O último governante a visitar o Líbano tinha sido dom Pedro 2º. Depois fomos para a Índia e para a China. Achamos que esses países juntos podem mudar a correlação de forças para que possamos ter uma predominância da maioria do países e não só dos países ricos'', acrescentou.
Segundo Lula, o Brasil tem uma dívida histórica com a África. ''Uma parte da elite brasileira tinha vergonha de olhar para a África. Em dois anos, visitei mais países da África do que todos os outros presidentes. Uma parte do que o Brasil é se deve à África'', afirmou.
Ainda no discurso, Lula defendeu uma ação conjunta entre Brasil e Argentina. ''A América do Sul e o Mercosul não serão os mesmos se o Brasil e a Argentina não tiverem uma ação conjunta para dar confiança aos outros países.'' Na opinião do presidente, os países emergentes devem se unir para ter mais força para negociar externamente. ''Aprendi no movimento sindical que quando a gente é mais fraco tem que juntar com outros fracos para ficar forte. Precisamos juntar os iguais para que a gente possa fazer presença e mudar a geografia do mundo.''
O presidente defendeu ainda outros setores do governo, como o ambiental. ''Nós, em dois anos, já demarcamos 47 terras indígenas e instituímos 5 milhões de hectares em reservas florestais - 500% a mais que outros governos'', informou.
Ao relatar algumas medidas realizadas nos primeiros dois anos de seu governo, o presidente falou sobre os programas federais de transferência de renda e disse que o governo irá realizar até o final de seu mandato obras de infra-estrutura. O presidente criticou de forma velada o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que ontem disse que Lula deveria ''estudar mais história do Brasil''. ''Quando terminar meu mandato, não vou nem para a França nem para os Estados Unidos fazer pós-graduação, vou para São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), que é onde eu sempre vivi e onde estão meus companheiros.''


