Sob risco de expulsão, Belinati se antecipa e pede para sair do PFL
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terça-feira, 14 de novembro de 2000
Rubens Burigo Neto e Lúcio Horta De Curitiba e Londrina 
Para evitar que fosse expulso do PFL, partido ao qual se filiou em agosto do ano passado, o prefeito cassado de Londrina, Antonio Belinati, comunicou oficialmente à executiva estadual do partido, ontem pela manhã, que estava se desfiliando da agremiação. Belinati repetiu a mesma atitude quando, no começo de 1999, percebeu que seria impossível não ser expulso do PDT. Nas eleições para governador, em 1998, o PDT havia orientado os prefeitos e demais filiados a votarem no então candidato do PMDB, Roberto Requião.
Belinati declarou seu voto pela reeleição de Jaime Lerner (PFL) e, por isso, foi criada no PDT uma comissão de ética para avaliar o pedido de expulsão do prefeito cassado. No primeiro semestre, o filho de Belinati, deputado estadual Antonio Carlos Belinati, também evitou a expulsão do PSB, pedindo a própria desfiliação. O pedido de desligamento do prefeito cassado foi enviado por fax ao escritório do PFL em Curitiba. Em pouco mais de cinco linhas, Belinati pediu sua desfiliação e agradeceu a atenção dos ex-companheiros do PFL.
O deputado federal Abelardo Lupion, integrante do diretório estadual do partido, confirmou que o pedido foi aceito, e que a comissão (formada em julho) que avaliava a expulsão foi automaticamente suspensa. Lupion afirmou que o PFL está vivendo um novo momento, de depurações necessárias. Nos municípios onde o PFL tiver problemas, nós vamos mexer. Vamos agir como um grande partido, porque não podemos mais pensar em grupelhos com interesses pessoais dentro do PFL, avisou.
Em Londrina, Belinati negou ontem que tenha saído do partido para evitar a expulsão. Ele alegou que a decisão já tinha sido tomada há alguns meses. Só protelei porque poderia parecer um gesto de covardia diante da dificuldade que se antevia com a eleição (de Farage Kouri, candidato a prefeito). Então cumprimos nosso trabalho, apoiamos o candidato do partido e agora vamos dar um tempo, disse.
Belinati admitiu que a pressão feita pela bancada do PFL na Câmara de Vereadores, que pediu sua expulsão, e a divisão interna no diretório local pesaram em sua decisão. Entendi que não era conveniente (permanecer) até, em parte, por essas divergências que estavam ocorrendo. Com conflito interno é até difícil colocar o bloco na rua e isso aconteceu agora, com o Farage. Mas esse foi um motivo menor, minimizou sem explicitar o principal motivo de sua desfiliação. É tudo isso que falei.
Questionado se ele tinha perdido espaço no PFL, afirmou: Pelo contrário. Me dou muito bem com o João Elísio, com o Affonso Camargo. Mas eu entendi que posso perfeitamente estar num partido em formação e, de repente, conseguir adeptos, disse. Nossa decisão é entrar num partido pequeno. Quando entrei no PDT, por exemplo, o partido não tinha nenhum deputado no Paraná; eu fui o primeiro com essa coragem. Por isso vamos novamente ir para uma agremiação em estruturação. Ele acrescentou que filho, o deputado estadual Antonio Carlos Belinati (sem partido) deve ingressar na mesma sigla.
Belinati não confirmou que pretende voltar a ser candidato a prefeito daqui a quatro anos como declarou no dia 1º de outubro, durante a votação. Mas também não descartou a idéia. Depende de Deus e da vontade do povo, disse, no velho estilo. Ele acrescentou que, a partir fevereiro do ano que vem pretende voltar à carreira no rádio e na televisão. Disse que já tem acertado um programa de manhã na Rádio Brasil Sul (AM) e estuda propostas de duas emissoras de tevê da cidade, para um programa na hora do almoço. É a minha profissão.


