Sob influência eleitoral, Câmara retoma sessões
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terça-feira, 02 de agosto de 2016
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 

Os vereadores de Londrina iniciaram ontem o último semestre da atual legislatura. A pauta enxuta e a sessão curta deram o tom do provável ritmo das atividades parlamentares nesse período, onde as atenções dos políticos também estarão voltadas para as eleições de outubro. Pelo balanço atual, apenas três dos 19 membros da Casa estão fora da disputa pela reeleição Roberto Kanashiro (PSDB), Marcos Belinati (PP) e Sandra Graça (PRB), pré-candidata à prefeitura.
Parlamentares ouvidos pela FOLHA concordam que o clima eleitoral interfere no dia a dia da Câmara, mas pontuaram que o contingenciamento de gastos e de investimentos decretado pela administração municipal deve impulsionar os principais debates. Até o final deste mês a Lei Orçamentária Anual (LOA) tem que ser encaminhada para avaliação dos vereadores e o indicativo é de aperto nas contas públicas, com desequilíbrio entre receitas e despesas. A peça pode ser votada até o final do ano.
Para o vereador Mario Takahashi (PV) a missão da Casa é "ajudar a prefeitura a encerrar o ano de maneira positiva, até porque eu acho que projetos grandiosos não virão mais neste período", prevendo sessões mais rápidas e menos atividades nas comissões permanentes. Segundo ele, a responsabilidade pela crise na administração não pode recair sobre os vereadores. "Não faltou fiscalização. A responsabilidade é dele (prefeito Alexandre Kireeff). Em todos os projetos com impactos financeiros eu sempre pedi para que o Executivo mandasse também o cálculo sem as verbas vinculadas no caso de gastos com pessoal, mas isso não foi feito", criticou.
Sandra Graça (PRB) também negou omissão do parlamento, mas evitou as críticas ao prefeito. "Não acho que faltou fiscalização, pois a questão orçamentária é muito técnica. Temos técnicos nessa área que dão subsídios ao nosso trabalho como vereadores. Além disso, os impactos também são analisados e elaborados pelos técnicos do município, então, nós temos pouca gestão sobre isso." Ela citou situações inesperadas que prejudicaram o planejamento municipal, como as graves chuvas do mês de janeiro, que consumiram recursos para obras, quedas na arrecadação e nos repasses externos e a inflação que bateu os 11%. Sobre a expectativa para o segundo semestre, Sandra lembrou da demanda referente à Caixa de Assistência, Aposentadorias e Pensões dos Servidores Municipais (Caapsml). "O Executivo vai mandar para cá projetos pesados sobre a Caapsml, é algo extremamente delicado tratar essa questão da previdência dos servidores."
O vereador Rony Alves (PTB) defendeu equilíbrio entre a campanha política e a atividade parlamentar. "Nesse momento, o lado financeiro da prefeitura é o que nos preocupa bastante. Como vai ser o ano que vem do município de Londrina? É preciso ter uma consciência muito grande sobre as diferenças entre as atividades aqui na Casa e o momento eleitoral." Lenir de Assis (PT) não poupou críticas ao Executivo. "Faltou planejamento", disse. "Uma das grandes preocupações neste semestre é orçamento, que já vem contingenciado para o ano que vem, com perda de financiamentos importantes. No valor que foi destinado para 2017 na área social não cabem as demandas que já existem. O prefeito mandou projetos com pareceres, com aprovação, dizendo que o orçamento suportaria."


