Sob ameaça de greve, Câmara e Prefeitura divergem
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Não houve consenso ontem entre Legislativo e Executivo sobre a definição da tarifa do transporte coletivo em Londrina. No início da tarde, diretores do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Londrina e Região (Sinttrol) tiveram audiência com o prefeito Barbosa Neto (PDT), que disse que vai aguardar até a próxima sexta, dia 17, o relatório da Comissão Especial de Investigação (CEI) antes de se posicionar sobre o reajuste ou não da tarifa. Na Câmara, onde os dirigentes sindicais estiveram com trabalhadores, nas galerias, a resposta foi outra: na sexta-feira, a CEI se reúne para fechar o relatório final que será entregue ao prefeito, de fato, apenas na segunda-feira.
No gabinete do prefeito, a recepção, em tom amistoso, foi feita pelo próprio prefeito. Hoje, acontece uma rodada de negociação - a que aconteceria na semana passada acabou não vingando, por falta de quórum - na Gerência Regional do Trabalho. A convocação, feita pelo chefe das relações de trabalho da Gerência, Rogério Perez Garcia Junior, foi feita a pedido do Sinttrol. Segundo o presidente do Sinttrol, após a reunião, e dependendo dos resultados obtidos, a categoria realiza hoje nova assembleia para ratificar a paralisação, mas mediante votação secreta, uma vez que, na última sexta, foi aprovado o indicativo de greve. Se aprovada hoje a paralisação, a greve pode ter início na segunda-feira.
Na sequência à conversa com o prefeito, Batista disse que a visita era um pedido de bom senso na decisão. Se o Sinttrol passa por pressão das empresas de transporte? Não precisa de pressão, o primeiro mês de database (que venceu em 1º de junho) já foi pago sem o reajuste, afirmou. Transfiro para o cidadão medianamente inteligente entender essa questão. Tem cidades cobrando R$ 2,30, até R$ 2,50, evidente que por muito menos que isso se resolveria a situação em Londrina. Se o Sinttrol falava em nome das empresas - das quais, conforme apurou a CEI, recebe anualmente cerca de R$ 756 mil como fundo de contribuição social? São argumentos, são dois lados que coincidem: as empresas pedindo o aumento, e a CMTU afirmando que o aumento é possível.
Na Câmara, onde também falou em plenário, o presidente do Sinttrol e os trabalhadores do transporte, nas galerias, ficaram em silêncio quando o presidente da CEI, vereador Joel Garcia (PDT), ameaçou apontar falhas no contrato com as empresas que serão levantadas no relatório final. As empresas (na verdade, a Grande Londrina) tiveram lucro de R$ 700 mil em 2006 e de quase R$ 2,5 milhões ano passado. Temos parecer da Procuradoria da Câmara apontado que desde a abertura do Psiu, por exemplo, que não existe a planilha desse serviço. Descobrimos que o mesmo pneu radial comprado pela Prefeitura é 40% menor que o lançado na planilha. Isso impacta no preço da tarifa, argumentou Garcia. Vocês têm de ter aumento independente do aumento da tarifa. Se em algum momento teve informação desencontrada, me pus à disposição para resolver (a CMTU questiona a análise parcial da CEI). O que não pode é ter pressão das empresas, e na segunda-feira vocês verão os resultados da Comissão. Batista retrucou: Se o senhor for entregar na segunda será tarde, pois a greve poderá estar deflagrada. O pedetista replicou: A greve é um problema seu e das empresas - não tente colocar nos vereadores essa responsabilidade, pois temos documentos demonstrando lucro.
Barbosa admitiu que aguarda, além do relatório da CEI, também os estudos feitos pela CMTU na planilha. Só espero a CEI concluir seus trabalhos para que possamos tomar uma decisão. Vou aguardar até dia 17, mas não são os vereadores ou empresários, individualmente, que vão pressionar o prefeito a se posicionar, definiu. Se o trabalho da Comissão será acatado pelo Executivo? O relatório é importante, mas, de imediato, teremos de ver se os números dele são factíveis com os da CMTU.


