Soares pede que PT se pronuncie sobre denúncias
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de outubro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O ex-secretário nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares cobrou ontem um pronunciamento do PT nacional em relação ao dossiê que lista denúncias contra ele e motivou o seu pedido de demissão, na semana passada. Em palestra promovida pelo departamento de Sociologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC), ele afirmou que o material foi elaborado dentro do governo para desqualificar a política de segurança que vinha adotando. ''Não contei com uma resposta clara do partido ao qual ainda pertenço'', disse, diante de um auditório lotado de estudantes e professores.
Na platéia, estavam presentes a mulher dele, Miriam Guindani, e a ex Bárbara Soares, cujas contratações pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) teriam gerado a crise que resultou em sua saída do cargo no governo federal.
Soares pediu ao deputado estadual Carlos Minc (PT), também presente ao ato desagravo, que entregasse uma cópia do dossiê ao presidente nacional do PT, José Genoino. ''Gostaria que o presidente (do PT) dissesse claramente que dossiês apócrifos constituem instrumentos ilegítimos, inaceitáveis, típicos do facismo, intoleráveis na democracia. E que se, porventura, qualquer petista tiver participado da urdidura de uma trama desse tipo, que seja imediatamente expulso do partido, sem maiores considerações'', declarou.
Embora tenha garantido já saber quem elaborou o documento contra ele , Soares não revelou nomes. ''Sei quem foram os autores, mas é preciso que haja provas, porque eu não quero agir com eles da mesma forma com que agiram comigo'', disse o sociológico, ressaltando que vai buscar todos os instrumentos legais para identificar e punir os responsáveis pela montagem do dossiê. ''O documento é apócrifo, mas temos elemento para conduzir a identificação''.


