A maior parte dos vereadores de Londrina que tentará uma vaga na eleição de outubro vai fazer uso de uma brecha aberta na resolução nº 21.704, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e permanecer em seus cargos mesmo com a campanha em curso. Diferentemente de prefeito, governador (que não tente a reeleição) e diversas outras funções, públicas ou não, o parlamentar não precisa deixar o posto para concorrer. Pela Lei Orgânica do Município (LOM), por outro lado, ele poderia tirar licença não remunerada de até 120 dias para tratar de ''assuntos particulares'' - categoria em que se insere a participação em um pleito, por exemplo. Mesmo assim, pelo Legislativo local, apenas Roberto Fortini (PTC) anunciou (leia nesta página) que vai se afastar - a partir de 3 de setembro - para concorrer à Assembleia Legislativa (AL).
Os outros cinco vereadores que concorrerão entre si - o presidente da Casa, José Roque Neto (PTB), o líder do Executivo, Sebastião Raimundo da Silva (PDT), mais Sandra Graça (PP) e Gérson Arapujo (PSDB) - ou à Câmara Federal, caso de Jairo Tamura (PSB), disseram que não vão se licenciar ou não têm, nesse momento, perspectivas para isso.
O secretário da executiva local do PSB, Hélio Lourenço - Tamura estaria, segundo a assessoria, em compromisso de campanha em Foz do Iguaçu; seu celular estava desligado -, afirmou que o parlamentar visitará 55 cidades no périplo pela Câmara Federal. Se vai se licenciar? ''Pelo que tenho conhecimento, não'', respondeu. Sobre a atividade parlamentar concomitante à agenda externa, Lourenço definiu: ''Isso sou mais eu que faço'', disse, ele que é também chefe de gabinete de Tamura. ''Vou ver se terei eu que me licenciar'', admitiu.
Sandra Graça informou que fica no posto, mesmo em campanha, porque, acredita, ''dá para conciliar as atividades (eleitorais) e o compromisso com quem me elgeu''. ''E a minha campanha será bem restrita - basicamente em Londrina e em mais duas cidades. Não vai afetar a atividade parlamentar'', garantiu. Roque Neto é da mesma opinião: ''Farei minha campanha mais na Região Metropolitana de Londrina, de modo que, às segundas, quartas e sextas fico na Câmara um período, e outro em campanha; às terças e quintas (dias de sessão), impreterivelmente me dedico à Casa. Não deixaria a Câmara ao léu''.
Gerson Araújo declarou que falaria com o partido a respeito de se licenciar ou não. Ele também preside a Comissão de Ética do Legislativo. ''Ainda não decidi o que fazer, mas analisarei com muita calma. Se a campanha estiver atrapalhando o trabalho, eu me afasto um tempo. Mas tem que ver até onde a campanha atrapalha ou até ajuda no mandato'', resumiu.
O líder do Executivo, que se licenciou apenas do Sindicato dos Metalúrgicos, o qual preside, comentou que, a despeito de percorrer 30 cidades, também não deve se licenciar. ''Até porque o próprio prefeito e os vereadores diminuem um pouco a quantidade de projetos nessa época. Este ano, não acredito que será diferente.''

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