O diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, disse ontem que a eleição presidencial e as disputas na maioria dos estados devem ser decididas no primeiro turno. As exceções são Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, onde, segundo ele, o quadro ainda é imprevisível. As declarações foram feitas durante palestra na 17ª Reunião Plenária do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, em São Paulo.
Como causas que explicam o caráter decisivo do primeiro turno, o diretor do Ibope apontou o pragmatismo do eleitor, a reeleição e a estabilidade econômica. ‘‘A grande pergunta que o eleitor se faz neste ano é ‘‘eu quero ou não que esse governo continue’’?’’, disse Montenegro, que não acredita em grandes oscilações nas pesquisas para presidente. ‘‘Acho muito difícil que o quadro atual sofra alguma mudança até 4 de outubro’’, opinou.
Para o pesquisador, o início do horário eleitoral na TV, dia 18, não deve provocar uma reviravolta nos números das pesquisas. Ele avaliou que os ocupantes de cargos públicos já estão sendo julgados há quatro anos. ‘‘Se a eleição se tornou plebiscitária e se as pessoas estão se perguntanto se aprovam ou não o governo, em dois meses, com dez programas de tevê, o político não vai conseguir mostrar o que não mostrou em quatro anos’’, observou.
Na palestra, Montenegro ressaltou a importância de uma reforma política no País, com o fortalecimento dos partidos políticos. ‘‘De 70% a 80% dos eleitores preferem o candidato ao partido’’, afirmou.
Montenegro previu ontem que as eleições deste ano vão marcar o fim de um ‘‘ciclo de políticos ligados à ditadura, a favor ou contra ela’’. Para ele, muitos dos líderes atuais, protagonistas de um período de transição entre a ditadura e a democracia, sairão de cena depois da disputa eleitoral de 98. ‘‘Eles vão se aposentar por idade, cansaço, desgaste ou derrota’’, opinou.
Entre eles, Montenegro citou os nomes do presidente Fernando Henrique Cardoso; do candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva; do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA); do ex-presidente José Sarney (PMDB), do ex-governador Leonel Brizola (PDT) e do atual governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB).
‘‘Lula, apesar da pouca idade, está começando a ficar velho em política’’, opinou o diretor do Ibope, lembrando que o líder petista disputa o mandato presidencial pela terceira vez consecutiva. Para ele, uma nova geração de políticos passará a ter projeção nacional nas eleições de 2002.
Entre eles, apontou os nomes dos governadores do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), do Rio Grande do Sul, Antônio Britto (PMDB), do Paraná, Jaime Lerner (PFL), do Distrito Federal, Cristóvam Buarque (PT), do ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PPS), do ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT) e do ex-prefeito do Rio César Maia (PFL). ‘‘A eleição de 2002 será a primeira realmente nova, sem ranço de ditadura’’, disse.

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