A advertência feita ontem por FHC, de que poderá aumentar impostos se o governo não encontrar ‘‘mecanismos automáticos’’ para equilibrar a economia, foi recebida com reservas pelos aliados. Deputados e senadores apoiarão a medida, se não houver outra saída contra a crise. Mas antes vão exigir que o governo se comprometa a baixar as taxas de juros e a reduzir os seus gastos.
O presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), disse que se o aumento de impostos for inevitável, o governo terá que demonstrar à sociedade que está se esforçando para reduzir despesas.
O líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG), recebeu o alerta com surpresa. Ele lembrou que numa conversa que manteve com FHC, a possibiidade de o governo propor o aumento de importos praticamente não existia. Ainda assim, ele garantiu seu apoio.
Para o senador José Fogaça (PMDB-RS), a decisão do governo tem que levar em conta os seus reflexos sociais. Fogaça descartou a elevação de impostos que considera injustos, como o ICMS, mas admitiu que, para enfrentar a crise, o governo terá de fazer um remanejamento dos tributos. ‘‘O importante é não aumentar a carga tributária como um todo’’, ressalvou. ‘‘O bolo da arrecadação, entre 25% a 30% do PIB, já é muito elevado’’. Também o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE) garantiu que não vai se opor.
O vice-presidente da Câmara, deputado Heráclito Fortes (PFL-PI), disse que o Congresso não tem como rejeitar o aumento, se for essa a única saída. ‘‘Mas teremos que estar atentos para não penalizar o assalariado de baixa renda’’, ressalvou. O deputado justificou a sua posição, alegando que não há como fugir de regras duras para sobreviver numa economia global.

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