Estudo encomendado pelo empresário Raul Fulgêncio e divulgado ontem na Câmara de Londrina indica que, na área verde conhecida como Marco Zero, pelo menos 50% são reconhecidamente Área de Preservação Permanente (APP). O reconhecimento, após estudo hidrogeológico do local, confirma a impossibilidade de repassar a região ao município como contrapartida do loteamento em que foram levantados os empreendimentos do Complexo Marco Zero.
O estudo foi elaborado pela empresa CMB Mineração e Meio Ambiente, do ex-secretário municipal do Meio Ambiente Cleuber Moraes Brito, e entregue à vereadora Sandra Graça (SDD), que lidera um grupo para tentar solucionar o impasse da não liberação de alvarás e Habite-se para o empreendimento. Os arredores da mata abrigam, agora, um shopping, uma loja de materiais de construção e aguardam ainda um hotel. No mesmo ponto, também será instalado o Teatro Municipal, em área doada ao município conforme lei vigente.
A liberação da documentação estaria emperrada porque a doação da área que entraria como diretriz para o loteamento não pode ser concretizada devido a pendências trabalhistas. Além disso, havia a dúvida se seria APP, o que também inviabiliza o uso como praça.
O estudo divulgado ontem mostra que a região tem seis pontos de nascentes. De acordo com o ex-secretário Cleuber Moraes Brito, quando uma nascente é identificada, cria-se um raio de 50 metros onde fica caracterizada a APP.
Foi com isso que a CMB chegou à conclusão que 50% dos 39 mil metros quadrados da mata caracterizam áreas de preservação. O estudo ainda indicou que há invasões dessas áreas por residências construídas a menos de 50 metros das nascentes e que há graves passivos ambientais. Além desse documento, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) analisa, há duas semanas, o Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad) do local, elaborado pela Geopar Ambiental. A pasta promete para o próximo dia 26 um relatório final.
O empresário Raul Fulgêncio afirma que a doação do Marco Zero atendeu a pedido do então prefeito Nedson Micheletti (PT). "Ele queria para o resgate histórico", afirma. A ausência de estudos ambientais sobre o terreno é justificada por ele pelo não parcelamento.
Entretanto, a secretária municipal do Meio Ambiente, Maria Silvia Cebulski, diz que a doação não poderá se concretizar. "Tem que ser revisto de que forma será compensado, se seria feita uma permuta ou uma troca de área a ser doada."
Raul Fulgêncio diz que uma das alternativas seria doar ao município o boulevard, uma espécie de calçadão que liga todos os empreendimentos do Marco Zero, que ainda está fechado para acesso ao público e é mantido com recursos dos próprios empresários estabelecidos no local. No total, são 12,8 mil metros quadrados, que receberam investimentos de R$ 6 milhões.

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