Loanda - Tendo às mãos um extrato das finanças, Álvaro de Freitas Netto está pronto para a entrevista. Pelos métodos que se impôs desde São Pedro do Paraná, ele antecedeu a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), e aos que condicionam a sua ''decolagem'' a um pequeno município, responde que acha difícil mencionar-se algum outro do mesmo porte em condições iguais.
''O importante é o prefeito ter conhecimento de todos os setores e o domínio da administração, para que os secretários não façam (à revelia) o que quiserem'', sentencia Álvaro. ''Domínio do que se tem na mão e do que se está gastando, assim não há o perigo de uma surpresa. Parece-me que esse é o ponto-chave.''
Pela análise da CMN, Loanda despontou principalmente pelo superávit financeiro, custo razoável da administração, investimentos e despesas compatíveis com a arrecadação. ''Por que ganhei? Porque tenho o fundo rotativo, os outros não o têm'', responde Freitas. O fundo rotativo é em consonância com a previsão de gastos para cada período de três meses; eventualmente, pode haver saque antecipado no fundo, mas a reposição será feita, porque o prefeito sabe quando entrarão as receitas de IPVA, ICMS, IPTU, FPM. E o capital do fundo nunca se desvaloriza, porque o saldo é sempre aplicado no mercado financeiro.
''Nunca fechei um mês sequer com déficit'', afirma Freitas, que ''gasta só o que arrecada'' e compra à vista. ''Essa maneira de trabalhar'' atrai mais fornecedores aos pregões; geralmente as propostas têm valores abaixo do teto estipulado, mas a Prefeitura ainda consegue desconto, porque ''em três dias, no máximo, o fornecedor está com o dinheiro no bolso''. Dois tratores que custariam R$ 184 mil ficaram por R$ 133.355,00 (R$ 66.6777 cada); luminárias de R$ 24 mil por R$ 17 mil; uniformes de R$ 30 mil por R$ 15 mil.
''De um ano para cá'', foram investidos R$ 2,5 milhões em restauração e pavimentação de vias públicas (190.000 e 200.000 m2.) ''A cidade ficou bonita, antes estava horrível.'' Do total, R$ 1,3 milhão veio do Paraná Urbano, financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a juros que a Prefeitura ajuda a pagar. Tarefa difícil, prevê o prefeito, será fazer infra-estrutura em bairros na periferia sem ter dinheiro a fundo perdido, porque tais programas acabaram.
As principais receitas do orçamento de 2007, estimado em R$ 17 milhões, serão as de IPVA e IPTU, totalizando R$ 1,4 milhão; o Fundo de Participação dos Municípios, R$ 6,2 milhões; e o ICMS, 2,7 milhões. O pagamento dos funcionários, 530, compromete 46% da arrecadação. (W.S.)

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