'Só em Londrina pedir voto é crime'
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sexta-feira, 28 de março de 2008
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Bem mais falante do que após o primeiro depoimento prestado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no dia 5 de março, o vereador afastado Renato Araújo (PP) classificou ontem como ''barbaridade'' a acusação de que recebeu e distribuiu dinheiro do empresário Marcelo Caldarelli para ter aprovado um projeto de lei de sua autoria.
Em entrevista coletiva, defendeu a imagem da Câmara, disse que confia em Deus para provar sua inocência e se reeleger e afirmou que ''só em Londrina pedir votos aos companheiros para aprovar projeto é considerado crime''. Ao delegado do Gaeco, Alan Flore, Araújo foi bem mais conciso e se limitou a dizer que só responderia em juízo. Em depoimento anterior, o vereador se recusara a fornecer material com sua letra para comparação com a lista investigada pelo Gaeco - documento que traz nomes de nove vereadores com números ao lado de cada um, supostamente valores que teriam sido pagos para aprovar projeto de doação de um terreno ao empresário. O material gráfico acabou sendo obtido à revelia de Araújo e aguarda os resultados da perícia que está sendo feita em Curitiba.
Araújo afirmou que escreveu apenas nomes na lista e insinuou que Caldarelli teria modificado o documento. ''Eu não fiz anotação de valores, relacionei vereadores que aprovariam o projeto. Ele (Caldarelli) que apresentou essa lista e deve ter feito qualquer anotação, que responda. Ele mesmo declarou que subtraiu a lista da minha mesa. Se fosse uma coisa escandalosa, não estaria disposta em cima da minha tribuna no plenário da Câmara'', defendeu-se.
Sobre as declarações prestadas anteontem pelo vereador também afastado Flávio Vedoato (PSC), que afirmou ter concordado em votar favorável ao projeto do colega sem conhecer seu conteúdo, Araújo disse que ''projeto vem na pauta, é escrito, não falado'' e que ''todo vereador tem que conhecer o que está votando''. Também apontou que a prática de pedir votos aos colegas ''é normal em qualquer lugar''.
Araújo disse que a Casa é ''altiva, respeitosa e transparente'', e que não teme os colegas porque ''ali é um jogo de interesses, ninguém pode mentir''. Ao mesmo tempo, lembrou que apresentou quatro projetos de mudança de zoneamento em 34 anos de legislador, ''enquanto tem vereador que apresentou 25 em oito anos e agora aparece tudo como santinho''.
Silêncio
O ex-vereador Henrique Barros (sem partido) compareceu ao MP à tarde para prestar depoimento, mas se recusou a falar com a imprensa. Mais magro, abatido e de óculos escuros, disse apenas que saiu de cena após ser libertado de prisão preventiva, em janeiro, porque está ''trabalhando muito''. Barros foi detido em flagrante recebendo propina de empresários no dia 9 de janeiro.
O delegado Alan Flore disse que o depoimento de Barros não acrescentou elementos importantes para a investigação. De acordo com ele, novos depoimentos serão tomados na segunda-feira, entre eles do vereador afastado Osvaldo Bergamin. O ex-vereador Orlando Bonilha está sendo procurado por policiais para ser intimado de seu depoimento. (Colaborou Fábio Cavazotti/Reportagem Local)


