Curitiba - Apenas dois dos 30 deputados federais do Paraná eleitos em outubro conseguiram votos suficientes para superar o quociente eleitoral: Gustavo Fruet (PSDB), reeleito para a vaga, e Ratinho Júnior (PPS), que termina o mandato de deputado estadual e assume uma das 513 cadeiras da Câmara no ano que vem.
No País, somente 32 dos 5.659 candidatos que concorreram a uma vaga na Câmara conseguiram os votos necessários para a eleição de um deputado, o chamado quociente eleitoral. Dos 513 eleitos, 481 precisaram dos votos da coligação ou do partido para garantir a vaga. O levantamento foi feito pelo site Congresso em Foco, que acompanha as atividades parlamentares.
Conforme o Código Eleitoral, o quociente eleitoral define os partidos ou coligações que terão direito a ocupar vagas de deputado federal e estadual. O quociente é determinado divindindo-se o número de votos válidos apurados pelo número de lugares a serem preenchidos.
Para o cientista político Ricardo Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o desempenho eleitoral dos deputados que não atingiram o quociente não surpreende. ''Geralmente é o que ocorre'', avalia, destacando que existem os grandes puxadores de votos e os que acabam beneficiados pelo voto de legenda. ''Isso é comum, principalmente no caso dos partidos que lançam candidato à presidência. O eleitor grava o número do partido, votando nele.'' Foi o caso do PSDB, por exemplo, que tinha Geraldo Alckmin como candidato.
Na opinião do professor, Fruet foi beneficiado pela exposição na mídia durante as investigações da CPMI dos Correios. Já Ratinho, comenta Oliveira, investiu pesado na campanha.
O cientista político não espera uma alteração significativa no comportamento da nova bancada paranaense. Dos 30 parlamentares, 21 foram reeleitos. ''O que se sinaliza é a composição de uma grande coalizão de apoio a Lula (PT), com a entrada do PMDB. A bancada do Paraná deve ficar mais sintonizada com o governo'', analisa Oliveira.
A bancada que assume no próximo ano tem, em sua maioria, personagens conhecidos da política estadual e nacional. É o caso de Alceni Guerra, ex-ministro da Saúde e ex-chefe da Casa Civil de Jaime Lerner e de Cassio Taniguchi, ex-prefeito de Curitiba. A novidade foi o empresário de Cascavel, Alfredo Kaeffer.
Sobre as articulações do presidente para construir a sua base de apoio no Legislativo, Oliveira avalia que a entrada do PMDB na bancada aliada pode abrir espaço para paranaenses no alto escalão do governo federal. Se isso ocorrer, os suplentes podem assumir. É o caso de Marcelo Almeida, primeiro suplente do PMDB, que pode assumir caso algum peemedebista deixe a Câmara rumo ao Executivo.

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