Brasília - A reforma política só acontecerá pressionada por uma crise, segundo conclusão de um estudo feito pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (NAE). Uma consulta a 50 mil pessoas, escolhidas entre os líderes de seus setores de atuação e que são formadoras de opinião, mostrou que 94,3% consideraram que a realização de uma reforma do sistema político-eleitoral brasileiro é boa ou muito boa para o futuro do Brasil. No entanto, 65,2% dos que responderam à consulta acham que é impossível ou pouco provável que a reforma ocorra até 2015.
O secretário-executivo do NAE, coronel Oswaldo Oliva Neto, acha que os resultados da pesquisa reforçam a idéia de que a reforma política só ocorrerá num cenário de ruptura. Isso porque os obstáculos atuais à reforma, representados pelos interesses dos parlamentares e das atuais organizações partidárias, impedem que o desejo da quase totalidade dos cidadãos se transforme em realidade. ''Os dados mostram que a reforma, apesar de sua importância, tem baixa probabilidade de ocorrer sem que haja algum fato de ruptura que a motive'', observou Oliva Neto.
Para ele, ''o momento atual é adequado para a reforma política''. Justamente por entender que a crise cria as condições necessárias para a mudança, Oliva Neto apresentou, na semana passada, os resultados da consulta e os estudos feitos pelo NAE ao presidente da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que estuda a reforma política, deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ), ao relator, deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), e ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ).
A pesquisa feita pelo NAE mostrou, por exemplo, que 30 outros temas estratégicos dependem, na visão dos entrevistados, da realização da reforma política. A manutenção da democracia foi apontada como fortemente dependente da reforma. ''A análise dos dados mostrou que, se a reforma não for feita, há grande probabilidade de que não seja mantida a normalidade democrática e que ocorra uma ruptura nos moldes do que ocorreu em outros países, como a Venezuela'', disse Oliva Neto.
Outros temas considerados fortemente dependentes da reforma política pelos entrevistados do NAE foram a melhoria da qualidade dos gastos públicos e a melhoria da qualidade da vida urbana. Os temas que aumentam sua probabilidade de ocorrência a partir da reforma são a redução da carga tributária, a melhoria da infra-estrutura, a melhoria da qualidade do ensino, a redução das desigualdades regionais, entre outros. Em outras palavras, a consulta identificou a reforma política como o objetivo que tem a maior capacidade de contribuir para a ocorrência dos outros objetivos estratégicos do País - e sua dependência dos outros temas é muito baixa.
O NAE está trabalhando na elaboração do projeto Brasil 3 Tempos, o planejamento estratégico que vai definir, a partir de estudos acadêmicos e consultas à sociedade, os 50 principais objetivos do País para 2007, 2015 e 2022. Os resultados da consulta mostraram que a reforma política foi escolhida pelos entrevistados como um dos cinco principais objetivos do País.
Os principais problemas detectados pelos especialistas contratados pelo NAE dizem respeito às relações entre o Executivo e o Legislativo no âmbito do chamado ''presidencialismo de coalizão''; os mecanismos de representação de participação político-eleitoral e suas relações com o sistema partidário; e os mecanismos de avaliação e de responsabilização dos partidos e dos atores políticos.

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