Brasília - Na berlinda, à espera da votação do parecer que recomenda a cassação, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), negou ontem que estuda a possibilidade de renunciar ao cargo. ''Não saio, absolutamente. Fui eleito para cumprir um mandato de dois anos e só a decisão do plenário encurtará esse mandato. Fora disso, não há hipótese'', disse.
Apesar da negativa, interlocutores de Renan afirmam que a renúncia da presidência do Senado é a única saída honrosa para ele. Alegam que, mesmo absolvido no plenário, quarta-feira, Renan não teria mais estatura para continuar no comando da Casa.
Ao chegar ao Legislativo pela manhã, um dia depois de ter visto o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar recomendar a nulidade do mandato por 11 votos a 4, o senador do PMDB alagoano também descartou que se sinta traído pelos colegas. ''Muito pelo contrário. Os senadores vão ler os autos sobre as acusações falsas a mim feitas e vão decidir de acordo com as suas consciências, no voto secreto e na sessão secreta, o que vão fazer.''
Desde o início da avalanche de denúncias envolvendo o nome dele, Renan tem assegurado a inocência. Ontem, procurou demonstrar confiança. Porque, segundo o senador peemedebista, ''a verdade sempre ganha, a perseverança sempre mostra a verdade''. ''Quem está acompanhando o processo sabe, tem certeza que eu sou absolutamente inocente e que vai chegar a hora em que isso será provado. A única coisa que eu vou fazer é não deixar que haja pressão sobre os senadores. Eles vão escolher, livremente, de acordo com suas consciências.''
De acordo com aliados, Renan poderia renunciar ao cargo de presidente do Senado e, com o gesto, angariar votos para que seja absolvido no plenário. Para que seja cassado, são 41 votos (maioria absoluta). Os 81 senadores, até mesmo o senador alagoano, votam. A renúncia de Renan à presidência só não poderia suspender a votação no plenário. A orientação, segundo aliados do senador do PMDB de Alagoas, seria feita pelo senador José Sarney (PMDB-AP). Renan e Sarney teriam discutido o assunto num almoço com o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), e até em telefonemas com o ministro da Defesa, Nelson Jobim
Oposicionistas esperam mais acusações no fim de semana prolongado e acham que o clima não é favorável a Renan depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de abrir processo contra os 40 acusados do ''mensalão''.
O senador é acusado de ter tido contas pessoais pagas pelo suposto lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Na tentativa de comprovar renda para o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, Renan apresentou documentos inconsistentes.

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