Curitiba - Em 25 cidades do Paraná as eleições deste ano vão ser palco do velho embate entre homens e mulheres. São municípios nos quais há um candidato concorrendo contra uma candidata a prefeito, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As chances estão do lado dos homens uma vez que eles são maioria entre os eleitos no último pleito: ocuparam 374 das 399 prefeituras do estado.
As mulheres são minoria entre os postulantes a cargos eletivos. No Paraná elas representam apenas 20% do total de candidatos, independente do cargo. A porcentagem é ainda menor entre os que disputam o cargo de prefeito. Dos 1.046 candidatos, apenas 8,80% são mulheres. Entre os que disputam uma vaga nas câmaras municipais, 21% são do sexo feminino.
A participação das mulheres na disputa pelas prefeituras paranaenses é inferior à média nacional, que é de 10,36%. São 1.580 pedidos de registro de mulheres contra 13.677 de homens. Esses números ainda podem sofrer alteração devido ao andamento dos pedidos de registro de candidaturas na Justiça Eleitoral. O peso de ser minoria na disputa é o de abrir um novo espaço para as mulheres, segundo a especialista em comunicação política, Luciana Panke. ''O mesmo esforço que as mulheres tiveram que fazer para ganhar espaço no mercado de trabalho terá que ser feito por quem está na política'', avalia.
Segundo Panke, a dificuldade é que não há tradição em se eleger mulheres. ''É uma participação recente'', explica. A especialista recomenda às candidatas que não enfatizem esse fato na campanha. ''A questão do gênero não pode ser o foco'', diz. Se for o caso, a dica de Luciana é enfatizar características da personalidade feminina, como o senso de comunidade.
A advogada Clair Martins (PSOL), primeira mulher a ser eleita deputada federal pelo Paraná, concorda. ''Nós somos menos individualistas, temos valores diferentes'', defende. Mas a ex-parlamentar não acredita que as mulheres enfrentam dificuldades específicas do gênero para se eleger. ''Se a mulher tem inserção social, é reconhecida pela comunidade não tem porque ter diferenciação'', analisa. ''A maior dificuldade para candidatos de qualquer sexo é a questão financeira. Quem não tem recursos próprios nem tem acesso a grupos econômicos que financiem a campanha tem poucas chances de se eleger'', diz.
Clair acredita que isso pode ser resolvido com a implantação de um sistema de financiamento público. ''Tem que ser definido um limite de gastos porque do jeito que está a eleição é uma disputa desigual'', critica. ''Acho um absurdo gastar um milhão de reais para vencer uma disputa para a Câmara Federal'', completa. Clair não conseguiu se reeleger deputada e está sem cargo eletivo. ''Estou advogando e trabalhando na área social'', conta.
Para o cientista político Alberto Carlos Almeida, autor do livro ''A cabeça do eleitor'', o sexo do candidato não influencia em nada o resultado das eleições. ''O que o cidadão quer é alguém que resolva problemas'', aponta. ''O voto não tem nada a ver com o perfil do candidato'', opina. Segundo Almeida, o sucessor de um administrador público bem avaliado pela população tem a maior chance de ser eleito, independente de qualquer característica pessoal.

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