Segundo a Codel, prazo vigente na lei de doação só começa a contar quando o município garante condições para início da obra
Segundo a Codel, prazo vigente na lei de doação só começa a contar quando o município garante condições para início da obra | Foto: Anderson Coelho



Levantamento divulgado pela Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina) mostra que das 38 doações de terrenos do município feitas a empresas na cidade, apenas seis indústrias efetivaram as obras e duas estão em construção. Cerca de 35% das doações autorizadas pelo Legislativo (ou 13 áreas) não prosperaram porque a prefeitura deixou de oferecer a infraestrutura no entorno para viabilização da obra. Outro dado significativo fornecido pelo órgão municipal é que 15 empresas que tiveram o benefício perderam o terreno após expirar o prazo definido pela legislação aprovada na Câmara Municipal de Londrina. O balanço concentra terrenos doados nos últimos cinco anos (2013-2017), além de quatro casos pontuais entre 2006 e 2008 que pertencem ao denominado lote 70.

Treze lotes estão em áreas cujo processo de doação foi aprovado pelo Legislativo e proposto na administração do ex-prefeito Alexandre Kireeff (2013-2016) e ficam nos lotes 16E e 17, ao lado da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), na região leste de Londrina. Isto é, as obras não saíram do papel porque não há infraestrutura para viabilizar o empreendimento como redes de água, luz e esgoto.

Segundo o diretor técnico da Codel, Atacy de Melo Junior, o prazo vigente na lei de doação só começa a contar quando o município garante condições para início da obra. "O ideal é que não sejam feitas doações em áreas sem infraestrutura", disse.

Imagem ilustrativa da imagem Só 16% das empresas que receberam áreas concluíram instalação em Londrina



PLANOS DE EXPANSÃO
As empresas que aguardam infraestrutura para expandir seus negócios são: Aimê, AFK Confecções, Dialli Alimentos, Diflex Distribuidora de Alimentos, Easy Way, KFA, Microsens, Getmaq Equipamentos, Duevita, RK Embalagens, KFA, Lexno, Tom Luz Iluminação e a própria UTFPR, que quer expandir sua área.

A Microsens, por exemplo - que é considerada uma das maiores distribuidoras de eletrônicos do País –, recebeu o maior terreno doado pelo município em 2014 (20 mil m²) e até agora não pôde construir. De acordo com o diretor da empresa, César Oliveira, a distribuidora mantém os planos de expansão, mas a indefinição não permite a continuidade do projeto. "Não cabe a nós fazer pressão. Não está nas nossas mãos esta decisão. Estamos aguardando o momento em que o município conclua as obras de infraestrutura. Não sabemos o tempo que irá levar", avaliou.

RETORNO AO ESTOQUE
A Codel retomou a posse de 14 das 15 empresas que receberam terrenos e não iniciaram as obras dentro do prazo, mesmo nos locais com infraestrutura. As áreas se concentram tanto no Parque Tecnológico da Avenida Nova Londrina (região norte) como no chamado lote 70, próximo ao Conjunto Novo Amparo (zona norte). "A maioria alegou momento econômico. Com a crise, elas tendem a recuar e observam para ampliar com cautela", disse o diretor da Codel. Apenas um caso foi judicializado, ou seja, a matrícula está em nome da empresa, mas os demais terrenos voltaram automaticamente para posse do município.

A prioridade da atual gestão da Codel é comercializar e licitar esses terrenos a empresas interessadas e comprar outras áreas para oferecer apenas a empresas que irão gerar mais postos de trabalho ou para que sejam de setores estratégicos.

Para Melo Junior, o baixo percentual de implantação de indústrias não desanima a equipe da Codel. Ele sustentou que Londrina continua a ser um local interessante para implantação de empresas. "Estamos numa região metropolitana com mais de 1 milhão de habitantes, temos abundância de mão de obra especializada e em localização estratégica no País. Não é por que houve pouca efetividade que a cidade parou de crescer", destacou. Dados da Junta Comercial demonstram que entre 2013 e 2017 Londrina criou em média 3 mil novos empresas nos setores do comércio, serviço e industrial.

Kireeff diz que viabilizou infraestrutura para polo industrial na zona norte

Procurado pela FOLHA, o ex-prefeito Alexandre Kireeff, contesta os dados apresentados pela Codel. Ele informou que os 13 lotes próximos à UTFPR não podem ser considerados áreas doadas porque essas empresas não têm a posse da escritura, e que a doação só vai se efetivar quando houver infraestrutura. O ex-prefeito justificou que os gastos extraordinários da Secretaria de Obras em função das chuvas de janeiro de 2016 dificultaram investimentos em infraestrutura nas áreas em processo de futura doação. "Foram gastos entre 20 milhões e 25 milhões de reais de recursos próprios. Só a infraestrutura de um dos lotes seria em torno de 6 milhões." O ex-prefeito lembrou que a Lei de Incentivo à Industrialização foi aprovada em 2012 e aplicada nos anos seguintes. "Como toda política pública nova, gerou acertos e desacertos, o que sugere que seja aperfeiçoada."

Em relação ao Lote 70, Kireeff informou que o município em sua gestão concluiu a infraestrutura para viabilizar o polo industrial. "A crise aguda de 2015 e 2016 e que ainda persiste deve ter dificultado os investimentos dos empresários." a FOLHA procurou o ex-presidente da Codel na gestão de Kireeff, Bruno Veronezi, mas não conseguiu contato.

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