O Congresso ainda não aprovou a medida provisória que regulamenta as férias de ministros de Estado, mas mais metade da equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso - 25 ministros - já está descansando neste fim de ano. O presidente embarcou para uns dias de férias no arquipélago de Fernando de Noronha. Em Brasília, 11 ministros continuavam despachando ontem. O ministro da Administração, Bresser Pereira, está em São Paulo, onde passará o réveillon com a família. Nelson Jobim, da Justiça, está nos Estados Unidos e Caribe, em viagem particular. O recém-nomeado ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, está no Rio Grande do Sul, onde ficará no feriado.
Desde o final do ano passado, antes de completar um ano de mandato, Fernando Henrique defende a tese de que todos os funcionários de alto escalão precisam de férias regulamentares, entre eles o presidente e o vice-presidente da República. No final deste ano, o presidente voltou a reclamar da ausência de uma legislação tratando do assunto, mas entende que cabe ao Congresso decidir se o presidente e o vice devem ter direito a férias, como ocorre na França e nos Estados Unidos.
Há três meses o governo enviou ao Congresso uma medida provisória sobre gratificação de servidores públicos e incluiu um artigo propondo a regulamentação das férias de ministros. Sem o conhecimento do ministro da Administração, foi embutido um artigo que trata das férias de ministros pelo chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho. O assunto gerou polêmica e a proposta foi para avaliação dos parlamentares. Ainda não foi votada.
O ‘‘Diário Oficial da União’’ divulga apenas os pedidos de licença para viagem ao Exterior. Estavam ontem em seus gabinetes os ministros da Casa Civil, Clóvis Carvalho; da Secretaria-Geral do Planalto, Eduardo Jorge Caldas; da Fazenda, Pedro Malan; das Minas e Energia, Raimundo Brito; da Reforma Agrária, Raul Jungmann; da Aeronáutica, brigadeiro Lélio Lobo; do Estado-Maior das Forças Armadas, general Benedito Leonel; da Previdência, Reinhold Stephanes; das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia; do Trabalho, Paulo Paiva, e dos Transportes, Alcides Saldanha.
Desses apenas os ministros da Fazenda, da Aeronáutica, da Previdência e da Secretaria-Geral passam o Ano Novo em Brasília. Raimundo Brito irá para Salvador, Jungmann para o Rio e depois para Fernando de Noronha, assim que o presidente deixar o arquipélago, junto com o ministro Clóvis Carvalho. O general Leonel irá para o Rio e Paiva para Belo Horizonte. O ministro Lampreia segue para a Guatemala, a serviço.
Estão em São Paulo, onde passam o final do ano, os ministros do Planejamento, Antônio Kandir; da Articulação Política, Luiz Carlos Santos; da Cultura, Francisco Weffort; das Comunicações, Sérgio Motta; e dos Esportes, Édson Arantes do Nascimento, o Pelé. O ministro Paulo Renato, da Educação, estava ontem em São Paulo, mas viajaria para Arraial d’Ajuda, na Bahia. O vice-presidente Marco Maciel e o ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause, estão em Recife. No Rio de Janeiro estão os ministros da Indústria e Comércio, Francisco Dornelles, que vai ver a queima de fogos em Copacabana; o ministro da Marinha, almirante Mauro César Pereira; do Exército, general Zenildo Lucena; do Gabinete Militar, general Alberto Cardoso; além de Israel Vargas, da Ciência e Tecnologia. O ministro Arlindo Porto, da Agricultura, permanecerá em Patos de Minas (MG).

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