Snowden pede asilo ao Brasil em entrevista
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segunda-feira, 02 de junho de 2014
Edgar Maciel, Fernando Ladeira e Thiago Moreno<br>Agência Estado 
São Paulo - O ex-agente da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), Edward Snowden, asilado há dez meses na Rússia após revelar documentos sigilosos da NSA, disse que se o Brasil oferecesse asilo "ficaria feliz em aceitar". Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, Snowden criticou a espionagem do governo dos EUA à Petrobras e elogiou o discurso da presidente Dilma Rousseff na ONU.
O jornalista Glenn Greenwald, que publicou reportagens revelando o esquema de monitoramento da NSA no jornal The Guardian, também participou da entrevista e afirmou que ainda há mais informações não publicadas sobre o Brasil. "Com certeza, tem mais documentos que vão mostrar a brasileiros e ao mundo o que os Estados Unidos estão fazendo dentro do Brasil e também da Inglaterra e outros países também", disse.
Snowden revelou que após entregar os documentos confidenciais a Greenwald e a documentarista Laura Poitras, em Hong Kong, decidiu sair dos Estados Unidos a caminho da América Latina. "Eu nunca escolhi vir para a Rússia. Estava a caminho do Equador, mas os Estados Unidos cancelaram meu passaporte, e eu não pude mais viajar. Fizeram de propósito para poder dizer: 'Ele é espião russo'".
O ex-agente afirmou que, na época, havia mandado pedidos de asilo a vários países, incluindo o Brasil. No ano passado, o governo brasileiro negou que tenha recebido o pedido. "Isso para mim é novidade. Talvez seja algum procedimento que eles achem que não foi seguido", afirma.
Com o asilo temporário na Rússia expirando em agosto, Snowden diz que seu futuro ainda é incerto. "Essa pergunta é difícil. Eu não tenho resposta. Meu asilo vence aqui no começo de agosto. E se o Brasil me oferecer asilo, eu ficarei feliz em aceitar", afirmou.
Espionagem
Para a Justiça dos EUA, Snowden atrapalhou a relação do país com nações amigas ao vazar documentos comprovando que a NSA e seus aliados - Inglaterra, Canadá, Austrália, Nova Zelândia - grampearam os telefones da presidente Dilma e de seus assessores mais próximos. Espionaram também a Petrobras e o Ministério das Minas e Energia. "Por que o presidente americano quer ler os e-mails da Dilma Rousseff? Obama disse que não sabia. Pode ser verdade. Ele concordou comigo que não há benefício nenhum, nenhuma vida foi salva. E por isso determinou que parassem", explicou.
Snowden negou que seja um traidor dos EUA e disse que a sua lealdade nunca mudou e que continua trabalhando para o governo americano.


