Arquivo FolhaAraújo: rolo compressor?Moralizar a Câmara de Vereadores e dar sustentação ao que deve ser a reforma administrativa na Prefeitura de Londrina. As metas são do líder do prefeito no Legislativo, vereador Renato Araújo (PPB), que começou a colocá-las em prática ontem com o pedido de arquivamento ou retirada de pauta por tempo indeterminado de 11 projetos e requerimentos, a maioria de vereadores do bloco de oposição. Todos acatados. A situação tem 11 vereadores contra dez da oposição.
Há quem garanta que a ação de Araújo é a volta do chamado ‘rolo compressor’ - grupo de vereadores que vota impreterivelmente afinado com o pensamento do prefeito. Outras fontes revelam que a ação conjunta da situação tem o objetivo de mostrar sua força ao prefeito e cobrar um tratamento privilegiado, já que muitos vereadores que lhe dão sustentação têm reclamado da falta de atenção do Executivo a projetos e matérias aprovadas pela Câmara.
‘‘Queremos botar ordem na Casa e primar pela coerência e economia’’, diz o líder. Ele argumenta que projetos inconstitucionais cuja tramitação não é recomendada pela Comissão de Justiça vão a plenário, são aprovados, vetados pelo Executivo, voltam à Câmara, têm o veto derrubado e acabam promulgados pelo Legislativo. ‘‘O caminho de volta é caro demais e a prefeitura gasta uma fortuna para anular a lei’’, justifica.
O líder alega que não adotou o comportamento no primeiro semestre porque 70% dos vereadores eram novatos e estavam ‘‘aprendendo’’. ‘‘Agora não tem mais desculpa’’, prega. Ele disse que resolveu ‘agir’ depois de uma conversa com os secretários de Negócios Jurídicos e Geral da Prefeitura.
O mais irritado com a ação de Araújo foi o vereador Célio Guergoletto (PMDB), que teve cinco projetos e requerimentos arquivados. ‘‘A prerrogativa do vereador de fiscalizar vai ser cerceada, mas eu vou à Justiça’’, declarou, referindo-se ao pedido de informações, arquivado, que solicitava ao prefeito a lista dos 50 maiores devedores de IPTU e ISS. Ele também teve negado pedido de informações sobre o pagamento de produtividade para funcionários da Secretaria de Planejamento. ‘‘Quem não deve não teme’’, repetiu Guergoletto. ‘‘Se for para ir para a briga, estamos preparados’’, ameaça.
O presidente da Câmara, Adalberto Pereira da Silva (PFL), disse que o bloco de oposição não vai aceitar a ‘‘provocação’’. ‘‘Se o confronto for sistemático, quero ver a hora que vier projeto que necessita de maioria absoluta, ou seja, de 14 votos. Eles podem até ter na mão um trator, mas não um rolo compressor’’, compara.
Ele diz não entender o líder Renato Araújo e recorreu a um projeto dele, aprovado no primeiro semestre, para exemplificar sua indignação. ‘‘Ele apresentou projeto propondo a instalação de rede elétrica em uma rua de Irerê, quando a competência para a matéria é do Executivo. A Câmara aprovou, o Executivo vetou, mas ele pediu o apoio dos vereadores para derrubar o veto’’, disse. Ele não condena a aprovação de projetos inconstitucionais. ‘‘Eles revelam a posição política da Câmara’’.

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