Brasília, DF - O comportamento do PT e a intervenção de setores do Executivo federal nas eleições municipais produziram uma bancada de ressentidos que ameaça pôr abaixo a já frágil maioria governista no Congresso. O quadro é tão delicado que o líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), pensava pedir ao presidente para intervir pessoalmente - como Lula depois decidiria fazer.
''Eu sou sempre um otimista, mas a situação é perigosa para o governo e vai exigir um grande esforço nosso'', admitia Luizinho na sexta-feira. Pudera. Não bastasse o estrago produzido pelas feridas eleitorais na base aliada palaciana, o governo ainda perdeu interlocutores de peso em partidos de oposição, como o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). ''Agora, eu vou analisar o projeto das PPPs (parcerias entre o setor público e o privado) com a visão do Tasso (Jereissati, do PSDB cearense, um dos críticos mais ácidos da proposta do governo no Senado)'', resumiu o senador baiano.
A ação forte de vários ministros na campanha de Salvador contra o candidato de ACM deu ao PFL o que faltava para o partido se unir na oposição. Mas isto não foi tudo. O PDT e o PPS conversam para se unir sob uma só legenda independente e crítica do governo. E, mais preocupante ainda, o PMDB articula para se desatrelar de vez do Planalto, retirando seus dois representantes na Esplanada dos Ministérios.
Embora os líderes governistas se consolem em que o PT, PL e PTB não padecem com crises, todos admitem que esses três partidos continuarão lutando para aumentar suas bancadas e que também eles têm questões pontuais para acertar com o Planalto, envolvendo a distribuição de postos federais nos Estados.
Nem mesmo entre os petistas que nada pedem ao governo será fácil cuidar das sequelas do processo eleitoral. ''O partido acabou contaminado pela lógica da base governista e triturou princípios ao confundir base parlamentar com aliança eleitoral'', analisa o deputado Paulo Delgado (PT-MG).

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