Situação do BNDES pode emperrar empréstimo do PR
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
Leandro Donatti 
A troca no comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), oficializada ontem com o pedido de demissão do economista André Lara Resende, deve retardar a liberação do empréstimo-ponte de R$ 1,2 bilhão requerido pelo governo do Paraná para lastrear o Fundo de Previdência e obter sobra em caixa para o pagamento do 13º salário do funcionalismo público. As negociações, que vinham sendo mantidas com a cúpula do BNDES e que poderiam desembocar nessa semana, voltam à estaca zero. O governo aposta no novo presidente do Banco para conseguir a liberação do dinheiro antes do final do ano. Até ontem à noite não havia previsão de audiência entre o governo e BNDES, no Rio de Janeiro.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse estar confiante no êxito da operação. Ele afirmou que, independente da troca de comando no BNDES, o empréstimo depende da agilidade do Paraná. Estamos nos adequando às exigências, disse. Um corpo técnico ligado ao governo passou o dia ontem debruçado na mensagem que desmembra a Copel em companhias e autoriza o lastreamento de todas as ações que ainda restam, do governo, junto ao BNDES. O governo tem 68% de ações ordinárias (com direito a voto) e 25% das preferenciais (sem direito a voto). A aprovação da lei que cria o Fundo, cujo desfecho na Assembléia Legislativa é aguardado em meados de dezembro, não é pré-requisito para a liberação do dinheiro.
Gionédis explicou que na mensagem da Copel haverá um dispositivo especificando que o R$ 1,2 bilhão será destinado ao Fundo de Previdência. O secretário confirmou que a transação com o BNDES ajuda a desafogar os gastos com a folha de pagamento - desde já o Fundo passaria a assumir o ônus com aposentados e pensionistas - dando fôlego para o pagamento do 13º salário. Entretanto assegurou que se não houver liberação, paga 13º até 20 de dezembro. Quanto mais eu tirar os encargos da folha, mais dinheiro vai me sobrar, considerou. O secretário está confiante nas negociações. O Brasil inteiro passa por dificuldades econômicas e nós já demos provas de que estamos atacando os problemas na raiz, disse.
O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), estava apreensivo ontem com a queda de André Lara Resende. Segundo o deputado, o governo depende do empréstimo para pagar o funcionalismo. Para pagar o salário de dezembro e o 13º são necessários em média R$ 500 milhões. Se não tiver o dinheiro do BNDES, não tem 13º e nem sei se os vencimentos de dezembro serão pagos, declarou. Khury se contrapôs às declarações oficiais de que nem um centavo do dinheiro do BNDES será aplicado no 13º.


