A acareação entre Regina Borges e os senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda complicou ainda mais a delicada situação dos dois parlamentares. Logo depois das primeiras horas da sessão de ontem, era consenso não só no Congresso, mas também no governo, sobre a culpa dos dois na violação do painel eletrônico da Casa, na votação que cassou o ex-senador Luiz Estevão. Com isso, tornou-se irreversível a abertura de um processo de cassação de ACM e Arruda.
‘‘A situação está resolvida’’, afirmou um ministro tucano, ao analisar a acareação. ‘‘Não resta mais dúvida sobre a participação dos dois neste episódio.’’ Sem trazer nenhum fato novo, tanto ACM como Arruda não conseguiram reverter o quadro. As principais dúvidas que poderiam amenizar a situação dos dois não foram esclarecidas. Pelo contrário.
A percepção unânime foi a de que Regina foi firme e convincente nas exposições. Diferente do que se temia, observou um interlocutor do presidente Fernando Henrique Cardoso, Regina não ficou intimidada. ‘‘Ela falou de igual para igual com os dois senadores’’, comentou essa fonte. ‘‘Isso foi decisivo.’’
Até no PFL, a constatação foi a de que, depois da acareação, dificilmente, ACM escapará da cassação, caso insista em não renunciar ao mandato. Um integrante da cúpula pefelista classificou a acareação como ‘‘constrangedora’’ e ‘‘decepcionante’’ por não conseguir reverter o clima de condenação.
As principais contradições dos depoimentos prestados na semana passada por ACM e Arruda foram explicitadas ontem. Com isso, lembrou um ministro, o destino dos dois ficou atrelado à repercussão que a imprensa fará da acareação e do sentimento da opinião pública. O ministro classificou como ‘‘sofrível’’ a exposição feita pelos dois senadores.
A constatação dentro do governo foi a de que, diferente da semana passada, ACM foi perdendo durante a sessão a pose de um poderoso ex-presidente do Senado para ficar na condição de réu. ‘‘Os próprios senadores perderam a cerimônia em questionar de forma contundente o senador Antonio Carlos’’, lembrou um assessor palaciano.
A expectativa de políticos próximos a Arruda é de que ele renuncie ao mandato o mais rápido possível. No grupo ligado a ACM, a avaliação é semelhante. Ficou clara a convicção da maioria dos senadores de que ACM e Arruda quebraram o decoro parlamentar. ‘‘Não existe nenhuma dúvida sobre a participação dos envolvidos no processo de violação do painel eletrônico’’, afirmou Antero de Barros (PSDB-MT).
Durante a acareação, Jefferson Peres (PDT-AM), que integra o conselho, foi incisivo em suas perguntas e concluiu que havia ficado uma ‘‘contradição insanável’’: Regina diz que recebeu uma ordem para emitir a lista de votação, Arruda diz que fez apenas uma consulta em nome de ACM, que, por sua vez, nega ter dado autorização para qualquer conversa do então líder do governo com a funcionária.
‘‘A acareação reforçou uma tendência pela abertura de processo contra os dois. Mas a cassação ou não vai depender de componentes da conjuntura política, que podem influenciar’’, disse o líder do bloco da oposição, José Eduardo Dutra (PT-SE).

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