Acompanhada de dois advogados e sem dar declarações à imprensa, a presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Ignes Dequech, prestou depoimento ontem ao Ministério Público (MP) e afirmou que a mudança de entendimento do órgão quanto às ilegalidades no prédio de City Shopping, onde está localizada a loja Havan, na Rua Benjamin Constant (centro), serviu apenas para permitir uma nova análise do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), já rejeitado pelo Ippul. Ela foi ouvida no procedimento da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público que apura suposta improbidade administrativa de membros da administração do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) no caso Havan.
Anteriormente, com base em parecer da Procuradoria-Geral do Município (PGM), o Ippul entendeu, para indeferir o EIV, que a construção desrespeitou o recuo de 5 metros e que em zona comercial um (ZC1) não é permitido instalar polos geradores de tráfego, como seria o caso do City Shopping. Porém, a mesma PGM emitiu novos pareceres defendendo que o tema é dúbio e comporta duas interpretações, sendo que uma delas beneficia o empreendedor: o recuo pode ser de apenas 2,5 metros, conforme foi construída obra, e que PGTs podem sim ser instalado em zona comercial um. O City Shopping, inaugurado em outubro de 2012, funciona sem alvará e sem Habite-se. Por isso, o empreendedor foi multado de R$ 2,9 milhões na semana passada.
Segundo Ignes, no depoimento ao MP, a mudança de postura e o desarquivamento do EIV, no entanto, "não constituem qualquer decisão quanto ao deferimento do EIV apresentado pelo empreendedor" e "que para a decisão final, o EIV será reanalisado pelo Ippul, CMC (Conselho Municipal da Cidade) e Secretaria de Obras para verificação do atendimento de todas as exigências legais". Ignes, alegando pressa, não falou com os jornalistas. Um de seus advogados, Ricardo Flores, restringiu-se a afirmar que "não houve mudança de entendimento" do Ippul e que "o caso ainda está sendo apreciado". O promotor Renato de Lima Castro disse que "o MP vai aguardar um posicionamento oficial" da prefeitura sobre o empreendimento.
Também foi ouvido ontem o ex-secretário de Obras, Fernando Bergamasco, que ocupou interinamente a pasta após a saída de Sandro Nóbrega em meio à crise do alvarás. Engenheiro concursado do município, ele negou que tenha conversado, ainda que informalmente, com o dono do empreendimento, orientando que naquele local o recuo seria de 2,5 metros, conforme afirmou publicamente o empresário. Ontem, os membros da Comissão de Trabalho da Câmara entregaram ao MP o relatório final com a análise do caso City Shopping.

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