Curitiba - Um levantamento divulgado ontem pelo site Congresso em Foco revela que dos 46 parlamentares que apresentaram emendas à Medida Provisória 413/2008, 21 propõem sugestões que beneficiam setores responsáveis pela injeção de dinheiro em suas respectivas campanhas eleitorais em 2006. Entre os 21, o deputado federal do Paraná Luiz Carlos Hauly (PSDB) foi o ''campeão'' na apresentação de emendas que coincidem com interesses de setores que fizeram doações para sua última campanha eleitoral. A MP trata do aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras para compensar a perda da CPMF e o principal beneficiário nas emendas é o setor sucroalcooleiro.
O paranaense apresentou 37 emendas à MP, sendo que 25 beneficiam os setores de mercado financeiro, papel, cooperativas, alimentícios, fertilizantes e embalagens, que doaram um total de R$ 335.106,43 à sua campanha eleitoral. As 12 emendas restantes do tucano beneficiam as usinas de álcool, setor que doou R$ 55.000,00 à campanha eleitoral do tucano. Outros três deputados federais do Paraná, Eduardo Sciarra (DEM), Cezar Silvestre (PPS) e Abelardo Lupion (DEM), também assinam emendas que beneficiam setores que fizeram doações às suas campanhas eleitorais.
Em entrevista à FOLHA, Hauly comentou que há 17 anos no parlamento acabou ''centralizando'' suas bandeiras em áreas específicas, como economia, tributação e agronegócio. Independente das empresas que doaram dinheiro à sua campanha eleitoral, ele alega que naturalmente atende a determinados setores. Hauly também afirma que considera ''maléfica'' a MP do governo federal e que suas emendas são uma tentativa de ''consertar o problema''.
Além de elevar a CSLL das instituições financeiras, a MP prevê o fim da cobrança de PIS e Cofins das distribuidoras do combustível, passando a responsabilidade para os usineiros. Hauly também é produtor de cana, mas ressalta que ''trabalha para o conjunto da sociedade''. Segundo ele, o ''lobby é das distribuidoras dentro do governo federal'', ao patrocinar uma MP que muda a tributação do setor. Uma das justificativas do governo federal é que as distribuidoras não têm sido fiéis no pagamento dos tributos.
Em uma de suas emendas, Hauly também pede o fim da cobrança da CSLL das bolsas de valores (Bovespa e BM&F). ''Estou defendendo instituições públicas e protegendo o consumidor'', justificou. As duas doaram, ao todo, R$ 120 mil para a campanha eleitoral em 2006.
Em carta enviada ao site Congresso em Foco, o deputado federal Eduardo Sciarra também se defende: ''As doações que recebi em minha campanha são públicas (...) podendo ser consultadas a qualquer momento no endereço eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Concluir daí que toda e qualquer iniciativa parlamentar tenha forçosamente vínculos com este ou aquele setor empresarial é no mínimo temerário'', escreveu ele.
A equipe do Congresso em Foco afirmou, no site, que ''de fato, todas as doações registradas no TSE, apuradas pela reportagem, são legais e nenhum congressista está proibido de fazer emendas, mesmo em benefício de empresas que financiaram suas campanhas eleitorais''. A intenção do levantamento, continua o site, seria tentar mostrar ''como se dão as relações entre os congressistas, os lobistas e os empresários''.

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