Curitiba - Um site mantido pelo PMDB de Curitiba divulgou sexta-feira acusações contra o juiz federal Edgard Lippmann Júnior, do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4 Região), em Porto Alegre. O juiz é acusado no site de ter envolvimento em suposto esquema de venda de sentenças para favorecer a abertura de casas de bingo em Curitiba. As acusações são uma resposta do partido às decisões do juiz contrárias ao governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB). Lippmann multou o peemedebista em R$ 50 mil e o proibiu de usar a TV Educativa do Paraná para atacar desafetos.
O juiz disse por meio do advogado Jaceguay Ribas que vai entrar com ações por crime contra a honra e de indenização por danos morais contra os responsáveis pela divulgação das acusações. Ribas diz que seu cliente está sendo vítima de perseguição. ''São notícias mentirosas, completamente distorcidas'', disse o advogado.
As acusações contra Lippmann foram colocadas na tarde de sexta-feira no site ''Assuntos de Curitiba'', mantido pela Frente Ampla Para Avanços Sociais, uma organização coordenada pelo presidente do PMDB de Curitiba, Doático Santos. O site apresenta um depoimento do empresário e ex-deputado estadual Tony Garcia, preso entre novembro de 2004 e fevereiro de 2005 sob suspeita de crimes de gestão fraudulenta, sonegação fiscal, clonagem de veículos e evasão fiscal, além de ter sido citado como envolvido em suposto esquema de venda de proteção de suspeitos na CPI do Banestado, incluindo um ex-dono de casa de bingo de Curitiba.
No site, que acusa em manchete o juiz Lippmann de ter ''ligações com atividades criminosas no Paraná'', um depoimento de Garcia concedido em maio do ano passado à Polícia Civil do Paraná mostra o empresário colaborando com investigações sobre o funcionamento clandestino de casas de bingo no Paraná.
Garcia relata, segundo o site, um suposto esquema de corrupção envolvendo bingueiros de Curitiba, advogados e o desembargador Lippmann. O ex-deputado declara ter presenciado conversas sobre um esquema de favorecimento de liminares no TRF-4 para garantir a reabertura de bingos em Curitiba, entre 2003 e 2004, períodos em que o governo Requião reprimiu com ações policiais e judiciais o funcionamento dos estabelecimentos.
Lippmann, de acordo com o site, também seria o juiz para quem os pedidos de liminares dos advogados dos bingos eram direcionados. Um dos empresários que aceitou participar do esquema, cita o site, teve sua casa de jogos reaberta em uma semana depois que a ação chegou ao TRF-4. Outro relato diz que o juiz também conferia os recursos judiciais dos advogados antes que eles dessem entrada no tribunal.

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