Site ajuda a identificar crime do 'colarinho branco'
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segunda-feira, 05 de abril de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Possivelmente um dos tipos de infração mais odiados pela sociedade, o crime do colarinho branco também é um dos menos punidos. O polêmico procurador da República, Celso Antônio Três, decidiu abordar o tema de frente, publicando na internet uma página totalmente dedicada ao tema. Celso Três ganhou fama nacional após participar de casos polêmicos, como a investigação sobre o esquema de lavagem de mais de US$ 30 bilhões através de bancos em Foz do Iguaçu e o escândalo da violação do painel do Senado durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Um dos objetivos do site é justamente explicar o que é o crime do colarinho branco para o público interessado. ''A designação veio dos Estados Unidos. Lá eles classificavam os crimes como sendo do macacão azul, se relacionado às delinquências da classe operária, e do colarinho branco quando era cometido pela elite e pelos empresários. No Brasil, o crime do colarinho branco virou um sinônimo principalmente para as infrações contra a ordem tributária e financeira'', explica Celso Três.
Segundo o procurador, o site (www.crimedocolarinhobranco.adv.br) não pretende ser um ''muro da vergonha'', ou seja, identificar as pessoas acusadas dos crimes. ''Queremos fomentar o debate sobre as causas da impunidade do colarinho branco, mas também apresentamos argumentos de todos os lados envolvidos. Não é uma página pessoal minha, ou apenas do Ministério Público (MP). Mesmo que o caso não tramite em sigilo de Justiça, não pretendo nomear os réus, a não ser em casos famosos como o do painel do Senado'', destaca Celso Três.
Uma das características do crime do colarinho branco é a quantidade de dinheiro que movimenta. Além da lavagem de dinheiro, outros crimes como o bilionário golpe aplicado por Jorgina dos Santos na Previdência Social ou a sonegação denunciada de R$ 300 milhões realizada pelos sócios da empresa paranaense Transoceânica, Ernesto De Veer e Gerhard Fuchs. ''E o que chama a atenção é que comparado com o número de denúncias, a fração de casos que chegam a ser julgados é muita pequena'', afirma Celso Três.
Na página, o procurador chama atenção para a fragilidade da estrutura administrativa para coibir o crime contra a ordem financeira. ''Não podemos negar que os empresários que cometem ilícitos possuem um lobby muito forte nos três poderes. Mas acho que o elo mais fraco, aonde se aproveitam da inação dos agentes, são as instâncias administrativas'', argumenta Celso Três.
O caso da lavagem de dinheiro através das contas CC-5 do Banestado em Foz do Iguaçu é um caso emblemático para Celso Três. ''Pode ter havido uma inoperância da Polícia Federal ou do MP na investigação do caso. Mas o grande atraso nas investigações sem dúvida foi a omissão do Banco Central, que acobertou grande parte do esquema. É nesse ponto que o crime do colarinho branco age de forma mais contundente, e é isso que deve ser debatido pela sociedade'', conclui.


