Sistema permite tráfico PR-Paraguai
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quarta-feira, 17 de maio de 2000
Giovani Ferreira De Paranaguá 
O sistema de fiscalização da Receita Federal pode estar facilitando o tráfico de armas e drogas entre o Porto de Paranaguá e o Paraguai. A constatação foi feita ontem pelos deputados da CPI Estadual do Narcotráfico, que estiveram na cidade. Os parlamentares ficaram surpresos ao saber que somente 10% dos contêineres que têm como destino o Paraguai são vistoriados fisicamente.
Segundo o deputado Ricardo Chab (PTB), a fiscalização é falha. O alvo das denúncias é o entreposto do Paraguai, em Paranaguá. Segundo o parlamentar, as constatações levam a crer que as denúncias recebidas pela CPI procedem e têm fundamento.
O inspetor aduaneiro da Receita, Paulo Sérgio Murta, explicou que a maioria das cargas é fiscalizada apenas na documentação. A vistoria física, com a abertura do contêiner e a verificação da mercadoria, é feita por amostragem e atinge uma parcela mínima. Nem todos os contêineres são abertos pois há impedimentos legais e falta estrutura à Receita.
Teoricamente as cargas são checadas somente quando há indício de irregularidade lacre do exportador rompido ou quando peso verificado na aduana não corresponde ao conhecimento do transporte. Fora isso os fiscais baseiam-se apenas no manifesto.
Nesse sentido, o questionamento dos deputados é com relação à origem da mercadoria. O inspetor Paulo Sérgio reconheceu que a Receita não tem acesso às informações sobre quem embarcou a carga, tendo apenas conhecimento do País de origem da mercadoria. Diante dessa realidade, o deputado Chab sugeriu que pode haver a falsicação da nota, onde o exportador pode descriminar um produto e embarcar outro.
No final da tarde, depois de passar o dia ouvindo pessoas e conhecendo o sistema de embarque e desembarque do porto, os deputados solicitaram a abertura de dois contêineres vindos de Miami (EUA), que estavam no entreposto do Paraguai. A verificação foi coordenada pela Receita, mas nada de anormal foi descoberto. Mensalmente são desembarcados em Paranaguá entre 180 e 220 contêineres de mercadorias importadas por paraguaios.
Como essas cargas possuem trânsito aduaneiro, depois de liberadas pela Receita ninguém mais pode vistoriá-las até que sejam entregues. O cônsul geral do Paraguai, Geraldo Vazquez Bogado, garantiu que todas as exportações que chegam ao seu país via Paranaguá, são vistoriadas quando passam pela fronteira.


