Curitiba - Se a escolha dos candidatos a governador já gera discussões internas nos partidos, a formação das chapas para as eleições proporcionais causa ainda mais polêmica. Devido à legislação eleitoral, que rege a disputa para as vagas de deputado federal e estadual, cada partido toma cuidados extremos para certificar-se de que a chapa montada terá o melhor desempenho nas urnas.
Grande parte dos cálculos e negociações leva em conta o coeficiente partidário, que determina quantos deputados cada partido irá eleger. Isso porque, ao contrário das eleições para cargos do Executivo, nas eleições proporcionais um candidato que foi menos votado do que outro pode ser eleito, dependendo da chapa em que ele ingressou.
O sistema do coeficiente partidário foi criado para privilegiar os partidos, e não o desempenho pessoal de cada político. O número de parlamentares a que cada coligação tem direito é proporcional à soma de votos de todos os seus candidatos, mais os votos atribuídos à legenda (veja no infográfico).
O coeficiente partidário acaba fazendo com que candidatos do mesmo partido disputem entre si para obter melhor desempenho nas urnas, e privilegia os chamados ‘‘puxadores de voto’’ - políticos que tradicionalmente recebem uma votação expressiva a cada eleição. Como são responsáveis pela vitória de outros correligionários na urna, os puxadores de voto têm, geralmente, direito a regalias.
Foi assim com o deputado federal Rafael Greca (PFL), que após ter sido o candidato mais votado nas eleições de 1998, foi agraciado com o cargo de ministro de Esportes e Turismo.

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