Curitiba As contas CC-5 (Carta Circular número 5) foram criadas em 1969 para permitir o envio de dinheiro para o exterior por empresas multinacionais com filiais no Brasil ou pessoas físicas que tivessem negócios no exterior. Por isso, a abertura desse tipo de conta e a movimentação feita em cada uma delas, são controlados pelo Banco Central.
O problema é que as CC-5 foram usadas para lavagem de dinheiro. Oficialmente, a Polícia Federal fala num desvio de aproximadamente US$ 15 bilhões, mas esse valor refere-se a parte do período em que o esquema funcionou (1992 a 1999). Segundo a revista ''IstoÉ'', que publicou reportagem sobre o assunto nesta semana, entre 1996 e 1997, foram despejados em paraísos fiscais US$ 18 bilhões dessa maneira e outros US$ 12 bilhões entre 1998 e 1999. Em 1999, a agência do Banestado em Nova York foi fechada, antes do banco ser privatizado.
A Polícia Federal de Foz do Iguaçu, que iniciou as investigações, abriu cerca de 700 inquéritos para apurar os crimes de lavagem de dinheiro e remessa ilegal de divisas para o exterior. Cerca de 200 inquéritos já estão em Curitiba, mas as investigações estão paradas porque existe uma discussão sobre de quem é a competência para continuar o trabalho: da Promotoria de Foz do Iguaçu ou da Promotoria de Curitiba.
As pessoas e empresas que se beneficiaram do esquema de lavagem de dinheiro podem escapar da punição. Os crimes de evasão de divisas e sonegação fiscal prescrevem em prazos que variam de quatro a 12 anos, conforme a pena recebida. O Ministério Público agora corre contra o tempo para conseguir condenações que superem dois anos para escapar da legislação e pôr a mão nos responsáveis pelo esquema. (D.A.)

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