A segunda rodada de negociação entre os sindicatos que representram os trabalhadores do transporte coletivo de Londrina (Sinttrol) e as empresas que têm a concessão do serviço (Metrolon), ontem à tarde, terminou sem a indicação de um índice de reajuste capaz de por fim à ameaça de greve da categoria. Amanhã, os cerca de 1,7 mil funcionários do sistema recebem o abono de 14% (7% de junho e 7% de junho) acertado entre as partes no Ministério Público do Trabalho (MPT) mês passado - é amanhã também o prazo final dado pelo Sinttrol, ao Metrolon, para que um percentual seja apresentado a fim de que não haja paralisação no setor.
No final da reunião de mais de duas horas, em entrevistas separadas, os representantes dos dois sindicatos divergiram sobre o resultados da segunda rodada de negociação. Para o secretário-geral do Metrolon, Gildalmo Mendonça, por exemplo, o encontro ''foi proveitoso''. ''Evoluímos em vários pontos, devemos voltar a conversar mais esta semana, porque hoje (ontem) não discutimos um índice, mas tratamos de assuntos inerentes à atividade'', disse. Questionado sobre as condições de trabalho da categoria, Mendonça as definiu como ''muito boas''. O que estaria emperrado o acordo, então? ''O percentual pedido pelo sindicato deles e o que podemos colocar, que seria leviano falar.'' O representante do Metrolon negou que o reajuste de 5% concedido pelo prefeito Barbosa Neto (PDT) semana passada, criicado pelas empresas, vá refletir na negociação salarial. ''Isso não acontece, porque tivemos três anos sem reajuste e fizemos a reposição. Uma coisa está desvinculada da outra, mas é evidente que (um reajuste maior) ajudaria.''
Já o presidente do Sinttrol, João Batista da Silva, foi menos complacente: ''O sinal que estava amarelo ficou laranja. As empresas se aproximaram do INPC de 5,43% alegando que uma coisa é o céu, outra é a terra, e eu coloquei para eles que meu céu é 10%, e minha terra 7%, no mínimo''. Sobre as condições supostamente boas de trabalho, Silva rebateu: ''As condições mudaram com a tarifa de R$ 2,10, começa por aí - agora o trabalhador tem de dirigir, cobrar e fazer troco, o que, para R$ 2, era muito mais fácil. As condições são ruins, e a gente persegue uma meta mais avançada'', declarou.

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