Sinttrol aprova greve, mas espera negociação
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Luciano Augusto e Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Dos 939 funcionários do transporte coletivo em Londrina que compareceram à assembleia realizada no início da noite de ontem no Terminal Central, 823 votaram pela paralisação do serviço dentro de 72 horas, a contar da notificação das empresas. O resultado abre a possibilidade da categoria parar a partir de domingo, caso não surja uma proposta de reajuste salarial até lá, coisa que nem o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Londrina e Região (Sinttrol) espera que ocorra. Enquanto isso, as empresas pediram paciência aos motoristas e cobradores.
Numa votação rápida, a maiora dos trabalhadores confirmou o indicativo de greve que já havia sido votado em uma assembleia realizada dias atrás. Apenas 10% dos votantes (93) foram contrários à paralisação, enquanto 18 votaram em branco e cinco anularam seus votos. Sobre o resultado, o presidente do Sinttrol, João Batista, foi enfático: É uma estratégia de mobilização dos trabalhadores.
O sindicato pede reposição de cerca de 10%. A data-base da categoria é junho, mas a negociação está emperrada em razão da indefinição do aumento ou não da tarifa por parte do Município. Embora diga que não condiciona uma coisa à outra, Batista insinuou que uma proposta poderá surgir até o final de semana, uma vez que o prefeito Barbosa Neto (PDT) promete um posicionamento até amanhã. O impasse político atrapalhou e retardou a negociação e, tendo em vista toda essa polêmica, estamos exaurindo todas as possibilidades para que ninguém acuse o sindicato de fazer greve pela greve, afirmou.
Na reunião realizada na Gerência Regional do Trabalhador ontem de manhã, Gildamo Mendonça, presidente do sindicato que representa as empresas do transporte coletivo em Londrina (Metrolon) pediu paciência ao Sinttrol até que o prefeito se posicione sobre a tarifa. O impasse não foi criado pelas empresas que estão no meio de vários impasses e reconhecem que (os trabalhadores) merecem o reajuste. Estamos na expectativa de que as partes se entendam e resolvam essa situação, completou, criticando que o único envolvido que não teria prejuízo com a paralisação seria o sindicato.
Questionado sobre a votação que ratificou o indicativo de greve, Barbosa disse que aguarda para hoje os estudos feitos pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) na planilha de 2006. O presidente da CMTU, Lindomar Mota, sinalizou que, de fato, a administração trabalha com uma linha de ação que evite a paralisação dos serviços. Não aceitamos trabalhar com a possibilidade de greve, resumiu Mota, sem entrar em detalhes.
Já o pedetista voltou a afirmar que vai aguardar até amanhã o relatório final da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara que analisa a planilha. Questionado se o desgaste político é maior diante de uma greve ou de chancelar o aumento da tarifa, Barbosa desconversou. Vou aguardar o relatório da Comissão e, de posse disso, espero me posicionar. O presidente da Câmara (José Roque Neto, PTB) me garantiu que tentará que a entrega saia até sexta, encerrou.
Presidente da CEI e ex-líder do Executivo na Casa, Joel Garcia refutou a possibilidade do relatório sair amanhã. Na sexta os membros da comissão se reúnem às 9h30 para seleção de documentos que constarão no relatório final. No sábado e no domingo, fazemos a redação final. Indagado sobre a greve, Garcia criticou: Da maneira como colocaram na cédula de votação, perguntando se trabalhador é a favor da greve e as alternativas 1 - Não quero greve, fico sem aumento; e 2 - A favor, porque quero reajuste salarial, deu para notar que a votação foi totalmente direcionada, apontou.
A FOLHA tentou falar novamente com o presidente do Sinttrol, mas ele não foi localizado.


