O Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado do Paraná (Sinttel) divulgou ontem nota de repúdio às demissões feitas pela Sercomtel. Embora reconheça que a telefônica londrinense esteja passando por uma crise financeira grave, o sindicato critica a reestruturação administrativa, que estaria começando "de baixo para cima", com o corte de funcionários, enquanto são mantidos os cargos do alto escalão, com os maiores salários. Outras demissões vão ocorrer.
"Por que não começar a reestruturação acabando com três diretorias, diminuindo gerências, acabando com o cargo de assessor e diminuindo o salário dos conselheiros?", questiona o sindicato na nota. A empresa tem sete diretorias. Para o Sinttel, a Sercomtel chegou a esta situação em virtude das "más gestões que assolaram esta empresa ao longo dos últimos anos, transformando-a em um cabide de cargos comissionados e distribuidora de altos patrocínios por toda a cidade". Pelo cálculo do sindicato, a redução de diretorias poderia trazer economia de R$ 1,5 milhão por ano.
O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) também foi criticado. Na nota, o Sinttel diz que ele deve "gerar empregos, trazendo desenvolvimento para nossa cidade e não sendo conivente com a demissão de trabalhadores e trabalhadoras".
O diretor do Sinttel, João Henrique Schmidt, disse à FOLHA que o corte de funcionários vai provocar "acúmulo excessivo de trabalho, podendo ocasionar erros, sobrecargas, doenças do trabalho, e consequentemente perda de qualidade no serviço prestado". Ele afirmou que a empresa vai enfrentar ações trabalhistas, mas não confirmou se serão movidas pelo sindicato ou individualmente.
Ontem a reportagem tentou falar com o presidente da Sercomtel, Christian Schneider, e com o prefeito Alexandre Kireeff, mas os dois estavam com os celulares desligados.

mockup