A fina sintonia entre o cacique baiano e o Palácio do Planalto, dizem políticos do seu círculo íntimo, pode transformar-se em uma ‘‘dependência saudável’’ na briga por um projeto de poder do PSDB e do PFL para 2002, disputa que envolverá todos os partidos de sustentação do governo a partir do ano que vem. ‘‘O presidente vai precisar muito dele’’, garante um importante senador.
‘‘A relação do governo com o PMDB deve se complicar a partir de agora, porque eles vão partir para a formação de um candidato próprio’’, explicou. Segundo esse político, a corrida eleitoral rumo a 2002 já foi deflagrada e deverá ter em Itamar Franco um dos seus personagens mais ativos.
Aliados do presidente do Senado confirmam que ele não abandonou o seu sonho de fazer o sucessor de Fernando Henrique, missão que seria desempenhada a seu filho, o deputado Luís Eduardo Magalhães, morto em abril passado. ‘‘Ele sofreu uma grande frustração com a morte do filho, mas não vai ficar fora do quadro político’’, comentou.
‘‘Ele gosta de fazer política’’, emendou. Para este político, com quem ACM mantém conversas frequentes, a única complicação nesta união com o presidente pode vir do próprio PSDB. ‘‘O PSDB está muito afoito, ele já torceu o nariz’’, afirmou o senador carlista. ‘‘Agora há uma luta entre PSDB e o PFL’’, emendou.
Já se sabe que a idéia de fundir o PFL ao PPB, ao menos por enquanto, morreu. O envolvimento direto de Paulo Maluf, presidente do PPB, na eclosão do escândalo Cayman comprometeu a aproximação entre o cacique baiano e o político paulista. ‘‘Ele realmente não está satisfeito com ele’’, confirmou um deputado do PFL. ‘‘A relação com o partido vem sendo trabalhada com o Esperidião Amin’’, acrescentou, referindo-se ao senador catarinense, que acaba de eleger-se governador. ‘‘Fusão nem pensar’’, sentenciou. (Colaboraram Gerson Camarotti e Cláudia Carneiro).

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