O Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv) vai ingressar com uma ação de reparação por danos morais e outra por injúria contra o prefeito Jorge Scaff (PSB). O motivo foi uma entrevista concedida por Scaff à Rádio Paiquerê AM. Questionado sobre as críticas do sindicato a um pagamento de R$ 50 mil feito pelo secretário de Fazenda, Francisco Simões, à Sociedade Rural do Paraná (SRP), Scaff chamou os diretores da entidade de ‘‘desocupados’’.
No mês passado, a prefeitura repassou R$ 50 mil à SRP como pagamento antecipado pelo uso de estandes na Exposição Agropecuária de Londrina, que será realizada em abril do próximo ano. De acordo com Simões, foi uma forma de receber R$ 180 mil de IPTU atrasado da Rural. Ele disse que a entidade tinha apenas R$ 130 mil e a antecipação permitiu o recebimento do imposto, que significou dinheiro em caixa para o município.
Ontem de manhã, o Sindserv apresentou ao Ministério Público (MP) um pedido de providências sobre a negociação. Segundo a presidente do Sindserv, Marlene Valadão Godoi, o acordo feriu o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal. O promotor Bruno Galatti irá solicitar à prefeitura os documentos sobre a negociação. Na entrevista concedida à emissora de rádio, o prefeito afirmou que os dirigentes sindicais, entre eles o diretor do Sindserv, Glaúdio Renato de Lima, recebem sem trabalhar.
‘‘Entraram R$ 130 mil para os cofres do município que ajudaram bastante a pagar os funcionários, que esse Gláudio é funcionário, inclusive parece que não trabalha porque é do sindicato e não trabalha. Só recebe. São 10 membros do sindicato que não trabalham e só recebem. O sindicato poderia ter dois, três para fazer isso. Mas tem dez que não trabalham, recebem e ficam levantando essas coisas, perturbando o ambiente, criando polêmica sem necessidade’’, afirmou. Scaff foi procurado para saber se mantinha seu discurso, mas sua assessoria de imprensa não retornou a ligação da Folha.
‘‘Lamentável o prefeito não ter respondido sobre o procedimento e ter ofendido o sindicato. Sempre fizemos críticas, sempre nos posicionamos e às vezes somos duros, mas nunca ofendemos as pessoas’’, disse Gláudio de Lima. Segundo ele, a Constituição, a Lei Orgânica do Município e o Estatuto do Servidor permitem a liberação de nove diretores, mas o sindicato tem um a menos. Lima disse ainda que além de trabalhar na entidade, os oito dirigentes participam de diversas comissões municipais e do Plano de Desenvolvimento de Londrina (PDI).

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