Sindserv questiona operações da Sercomtel
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segunda-feira, 01 de agosto de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) protocolaram ontem no Fórum um pedido de providências em que denunciam supostas operações financeiras irregulares da Sercomtel da ordem de R$ 7,834 milhões. O documento foi entregue na secretaria do coordenador regional do Ministério Público Estadual, promotor Miguel Sogaiar.
De acordo com o presidente do Sindicato, Marcelo Urbaneja, o pedido pede medidas em relação a três frentes de estudo do Sindserv, a respeito da Sercomtel, levantadas desde o início do ano. Uma delas, explicou Urbaneja, diz respeito a gastos de R$ 3,2 milhões em doações e patrocínios bancados pela telefônica em 2004. O valor seria bem maior que o registrado no ano anterior, cerca de R$ 1,2 milhão. ''Não desconfiamos, e sim, temos certeza de que isso foi abuso de poder político e econômico por parte da administração. Por que aumentar esses R$ 2 milhões justo em ano eleitoral?'', sugeriu, para arrematar: ''Queremos saber quem recebeu esse dinheiro, onde, exatamente, ele foi usado''.
Outra dúvida levantada no pedido de providências com base em balancetes da Sercomtel tornados públicos em abril e na apresentação de contas do primeiro quadrimestre do ano é sobre uma possível dívida do Executivo com a Sercomtel de aproximadamente R$ 355 mil. ''Esse número não é inventado, e sim tirado de análises que fizemos de declarações do (Wilson) Sella (secretário municipal de Fazenda), na prestação de contas feita à Câmara, e de números publicados no Jornal Oficial'', destacou.
O pedido entregue por Urbaneja apresentou em anexo os balanços de abril da empresa e a ata da sessão ordinária em que Sella mostrou os cálculos dos primeiros quatro meses de 2005 aos vereadores.
O terceiro fator levantado no documento, que, segundo o sindicalista, ''fere a Constituição Federal e todos os pontos da Lei de Responsabilidade Fiscal'', é a suposta apropriação retroativa de R$ 5 milhões da receita de 2003 para fechar o balanço em 2004.
Pela análise do Sindserv, o valor constava da demonstração de ''despesas novas para o ano de 2005'', feitas na Câmara, o que não estaria de acordo com os balanços da empresa, que destacavam, para 2004, a quantia de R$ 7,834 milhões. O dinheiro teria origem, entre outras dívidas, da transformação da Sercomtel em Sociedade Anônima, em 2001. Mesmo assim, frisa o pedido ao MP, o débito não consta do Orçamento do Município, já que a Prefeitura não reconheceria o valor, apesar de haver ''fortes indícios'' de que a administração ''autorizou o desconto de parte dessa dívida dos dividendos a que tinha direito, entretanto não confeccionou a Nota de Empenho e não contabilizou essa despesa no Balanço do Município''.
''A Prefeitura não pagou em 2004 conforme o acordado, e, em vez de amortizar a dívida, se apropriou dos dividendos distribuídos daquele ano e de 2003'', declarou o presidente do Sindserv.


