O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) pretende agendar para a próxima semana um encontro com o prefeito eleito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), para discutir a situação do funcionalismo. Nedson viajou no começo da semana, logo após o segundo turno das eleições municipais, e deve voltar hoje a Londrina para a cerimônia de crisma do filho.
Segundo um dos diretores do sindicato, Gláudio Renato de Lima, a maior preocupação do funcionalismo é a situação caótica do caixa da prefeitura, cujo déficit mensal é de R$ 3 milhões. A falta de equilíbrio entre receita e despesa do município é grave e pode provocar atrasos no pagamento dos salários de novembro e dezembro. ‘‘Além disso, todo cenário aponta para o não pagamento do 13º salário, a menos que haja alguma receita que nós não conheçamos’’, avaliou. Neste caso, a dívida imediatamente seria repassada para a próxima administração.
Os servidores também querem saber se o prefeito eleito vai consultar a categoria antes de nomear alguns membros do primeiro escalão, como nas áreas da saúde, educação e superintendência da Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml). Nedson teria se comprometido, nos debates que teve com os servidores, a discutir nomes antes da nomeação.
O prefeito eleito também deverá responder sobre o número e o critério de nomeação de pessoas que vão exercer cargos comissionados na prefeitura. ‘‘O que estamos sentindo dos servidores é que existe uma grande ansiedade para saber se vai mudar alguma coisa. Tem gente que não aceita a situação de ter comissionado que não entende nem a metade do que entende um funcionário de carreira.’’
Outro assunto que deve ser abordado é a proposta de reforma administrativa apresentada em julho pelo Sindserv ao prefeito Jorge Scaff (PSB) – mas que não foi implementada. O estudo contemplava uma série de medidas que poderiam proporcionar uma economia imediata de até R$ 4 milhões de julho até o final do ano. Entre as sugestões estão o corte de 30% na Frente de Trabalho (FT); extinção de cargos comissionados; revisão de contratos; revogação de perdão de impostos a contribuintes, além da extinção de secretarias.
Gláudio Lima explicou que o estudo apresentado a Scaff era emergencial e que não há expectativa de que Nedson se comprometa a implantar as medidas a partir de janeiro de 2001, quando toma posse. Segundo ele, o próprio prefeito eleito já declarou que não pretende, por exemplo, extinguir secretarias. No entanto, o sindicalista destacou que o estudo pode servir de parâmetro para mudanças na administração.