Administração municipal e o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv) realizam dia 12 a primeira rodada de negociações após o fim da paralisação dos trabalhadores, na última terça-feira. Os servidores cruzaram os braços por 30 dias ficando para a história como a maior paralisação da categoria em reivindicação a 21% de reposição salarial referente as perdas acumuladas entre 2001, 2002 e 2004.
O retorno ao trabalho foi possível após a assinatura de um acordo entre o prefeito Nedson Micheleti (PT) e o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja. O acordo que garantiu o fim da paralisação mas manteve o estado de greve prevê a criação de uma comissão permanente de negociação que irá acompanhar a arrecadação do município durante o ano e estudar o percentual que poderá ser repassado como reposição à categoria, e a negociação imediata dos dias parados.
''Estamos nos preparando para essa reunião. A solicitação do sindicato em voltarmos ao processo de negociação compreende a pauta de reivindicação do sindicato. Confirmamos que vamos estar fazendo a negociação de toda pauta, em que consta a questão dos dias parados'', disse o secretário municipal de Gestão Pública e presidente da comissão de negociação da Prefeitura, Jacks Dias. A pauta de reivindicações dos servidores contém 28 itens.
No entanto, o secretário não soube dizer qual deverá ser o encaminhamento das negociações dos dias parados após o decreto assinado pelo prefeito e publicado ontem no Jornal Oficial do Município, que determina o desconto de até oito dias não trabalhados em pecúnia parceladamente de abril a julho e os 23 dias restantes em horas extras. ''Não saberia dizer qual será a condução. Vamos negociar, vamos estar levando as propostas da administração que eu não tenho ainda. Vamos estar nos preparando'', afirmou. ''A negociação pressupõe dois lados'', argumentou Urbaneja, que solicitou ontem aos vereadores que encaminhem um manifesto ao prefeito contra o decreto. ''Solicitamos à Câmara de Vereadores um manifesto sobre a atitude equivocada do prefeito quando descumpriu o acordo menos de 24 horas após assiná-lo. A proposta é clara e diz que os dias seriam negociados. O desconto é a punição que o prefeito quer imputar aos servidores que ousaram mostrar a situação da prefeitura'', argumentou Urbaneja.
Conforme o presidente do Sindserv, além da reunião com a administração, os servidores devem voltar a realizar uma assembléia no dia 14 em que não é descartado o retorno à paralisação em protesto ao não cumprimento do acordo.
Segundo Urbaneja, neste momento o sindicato está atuando em três áreas. ''A primeira é a administrativa, em que estamos trabalhando em cima da reposição das aulas, atendimento nos postos. A segunda, é a jurídica, em que vamos tentar derrubar o decreto (do desconto dos dias); e a política, em que terminamos a paralisação não o estado de greve'', explicou.

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